Inteligência artificial no campo: o agro brasileiro passa do experimento à operação

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Por muito tempo, a narrativa sobre tecnologia no agronegócio brasileiro girou em torno de promessas. Drones sobrevoando lavouras, sensores monitorando o solo, satélites mapeando a produtividade. Tudo muito real, mas ainda concentrado em grandes propriedades e projetos-piloto. Em 2026, esse cenário começa a mudar de forma mais concreta. A inteligência artificial deixa o status de vitrine tecnológica e passa a funcionar como infraestrutura competitiva em fazendas de médio e grande porte, especialmente nas regiões do Cerrado e do Matopiba. O impacto vai de decisões de plantio até a redução expressiva no uso de defensivos.

Da análise à execução: uma nova fase da IA no campo

O agronegócio brasileiro começa a consolidar uma mudança de estágio no uso de inteligência artificial. Depois de um ciclo marcado por digitalização de processos e adoções mais pontuais, o setor avança para um modelo em que a tecnologia passa a ser integrada ao centro da operação. Na prática, isso significa automatizar jornadas completas, conectar dados dispersos e transformar informação em capacidade de resposta mais rápida, mais precisa e mais aderente às exigências do mercado. It Show

A Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto, foi um dos termômetros mais nítidos dessa transformação. A inteligência artificial pode reduzir em média 62% o uso de defensivos no campo ao permitir a identificação de pragas em tempo real e a aplicação pontual de insumos. O dado foi apresentado por Matias Schelp, vice-presidente de Agricultura Inteligente da Bosch, durante a feira. Sistemas de pulverização inteligente que identificam cada ponto de infestação antes de acionar os bicos aplicadores já não são conceito, são produto disponível no mercado. Times Brasil

Drones, satélites e agentes autônomos

O que começou como experimentos com drones e sensores agora se transforma em rotina inteligente, com a inteligência artificial atuando como o verdadeiro cérebro das operações no campo. Com o agro representando cerca de 25% do PIB nacional, adotar essas ferramentas não é mais diferencial — é condição essencial para manter competitividade, reduzir custos e atender às demandas de sustentabilidade dos mercados globais. Agriconline

Entre as tecnologias que ganham tração, os agentes autônomos e os sistemas de visão computacional merecem atenção especial. Tecnologias como o See & Spray, da John Deere, já apresentam estudos com reduções de até 80% no uso de herbicidas ao combinar câmeras, sensores e inteligência artificial. Soluções como Cromai e Zait levam esse conceito ao campo brasileiro, permitindo pulverização seletiva em tempo real. PwC Brasil

A conectividade rural é o alicerce de tudo isso. Segundo Leonardo Belotti, da TIM, já há cobertura de 4G em cerca de 26 milhões de hectares, viabilizando a transformação digital no agronegócio desde 2018. Em projetos como o de Água Boa (MT), a conectividade gerou aumento de até 10% na produtividade e redução de 32% no consumo de combustível. Times Brasil

O desafio da inclusão tecnológica

O avanço é real, mas não é uniforme. A ampliação da inteligência artificial no agronegócio ainda enfrenta obstáculos importantes, especialmente relacionados à conectividade rural e ao acesso à tecnologia por pequenos e médios produtores. Em diversas regiões do país, limitações de internet e infraestrutura dificultam a adoção plena de sistemas inteligentes no campo. Brasilnoticia

Para contornar o custo de entrada, o mercado tem respondido com modelos de assinatura e financiamentos via linhas verdes do BNDES, tornando a tecnologia mais acessível. Entre as prioridades de investimento em TI no agronegócio para os próximos 12 meses, inteligência artificial e aprendizado de máquina lideram com 71% das intenções declaradas pelas empresas do setor. IT Forum

O campo brasileiro nunca foi tão digital. E quem ainda não entrou nessa curva provavelmente pagará um preço por isso nas próximas safras.

Fontes: Itshow | Times Brasil | AgricOnline | PwC Brasil | IT Forum

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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