Finep abre chamada de R$ 100 milhões para desenvolver tecnologias na economia solidária

Redação Classificados Terra
Redação Classificados Terra

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) publicou a Chamada Pública PRONINC 2026, que destina até R$ 100 milhões a projetos de desenvolvimento ou adaptação de tecnologias para Empreendimentos Econômicos Solidários (EES). Os recursos são não reembolsáveis e têm origem no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A divulgação da chamada ocorreu em 18 de setembro de 2026.

A iniciativa busca aproximar a pesquisa científica das necessidades práticas de cooperativas, associações, organizações comunitárias e outros grupos que atuam na economia solidária. De acordo com a Finep, as propostas deverão considerar problemas concretos dos empreendimentos e os conhecimentos já existentes nos territórios.

Quem pode participar da chamada

A seleção é voltada a Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs). Para participar, essas instituições deverão atuar em conjunto com Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs) e Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), formando uma articulação entre pesquisa, inovação e organizações da economia solidária.

A construção dos projetos precisa ocorrer de maneira participativa. Isso significa que as soluções devem ser planejadas a partir das demandas dos próprios empreendimentos e dos contextos sociais, econômicos e ambientais de cada território. A chamada também contempla iniciativas relacionadas a agricultores familiares, povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos vinculados à economia solidária.

Áreas que podem receber apoio

A Chamada Pública PRONINC 2026 abrange diferentes frentes de desenvolvimento tecnológico. Entre os temas elegíveis estão agroecologia, soberania alimentar, sistemas produtivos sustentáveis, saneamento, reúso de água e aproveitamento de resíduos.

Também podem ser apoiadas propostas relacionadas a tecnologias financeiras solidárias, energias renováveis, saúde, segurança do trabalho e cuidados comunitários. A variedade de áreas permite que os projetos tratem tanto de processos produtivos quanto de desafios ligados à infraestrutura, à organização econômica e à qualidade de vida das comunidades.

Segundo as informações disponíveis na página oficial da Chamada Pública PRONINC 2026, cada projeto poderá solicitar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. O prazo máximo de execução será de 36 meses, período destinado ao desenvolvimento ou à adaptação das soluções previstas nas propostas aprovadas.

Distribuição regional e prazos

A chamada tem abrangência nacional, mas estabelece uma diretriz de distribuição regional. Pelo menos 30% dos recursos deverão ser aplicados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, desde que sejam apresentados projetos considerados meritórios no processo de seleção.

O cronograma prevê uma etapa inicial de cadastro institucional. O prazo para envio dos cadastros termina em 9 de outubro de 2026. Já a submissão completa das propostas poderá ser feita até 14 de janeiro de 2027, às 17h, no horário de Brasília.

As instituições interessadas precisam observar as exigências da chamada e organizar previamente a parceria com incubadoras, núcleos de inovação e empreendimentos econômicos solidários. A participação desses diferentes atores é parte central da proposta, já que o programa pretende financiar tecnologias conectadas às necessidades identificadas nos territórios.

Pesquisa aplicada à economia solidária

Ao direcionar recursos do FNDCT para esse público, a Finep coloca a inovação social e tecnológica como instrumento de fortalecimento de formas coletivas de trabalho e geração de renda. O foco não está apenas na criação de novos produtos, mas também na adaptação de soluções para realidades específicas de cooperativas, associações e organizações comunitárias.

A articulação entre ICTs, ITCPs, NITs e EES pode favorecer o desenvolvimento de tecnologias mais adequadas às condições de produção, aos recursos disponíveis e aos conhecimentos locais. Na prática, os projetos poderão tratar de eficiência produtiva, sustentabilidade, acesso a serviços, segurança e melhoria das condições de trabalho, conforme os temas previstos no edital.

Com a chamada, universidades e demais instituições de pesquisa terão a oportunidade de apresentar propostas voltadas a desafios concretos da economia solidária em diferentes regiões brasileiras. O resultado esperado é a criação ou adaptação de soluções tecnológicas construídas com participação dos empreendimentos que deverão utilizá-las.

Compartilhe este artigo