Rejeição a Bolsonaro volta a crescer e atinge maior nível em 9 meses, diz XP/Ipespe

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a experimentar uma piora em seus níveis de aprovação junto ao eleitorado na última semana de março, período marcado pelo recrudescimento da pandemia de Covid-19 no Brasil e pela troca no comando de seis ministérios, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

De acordo com a nova rodada da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre 29 e 31 de março, o grupo de brasileiros que avaliam a atual administração como ótima ou boa agora soma 27% do eleitorado – 3 pontos percentuais a menos do que 20 dias atrás. Em cinco meses, os eleitores simpáticos ao governo minguaram 12 pontos percentuais e estão no menor patamar em dez meses.

Do lado oposto, chegou a 48% o grupo dos que consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo – alta também de 3 pontos percentuais em 20 dias, e salto acumulado de 17 pontos em cinco meses. Trata-se do maior nível desde junho de 2020 e a maior distância entre críticos e apoiadores ao atual governo desde maio daquele ano.

A piora no quadro para o presidente ocorreu em todas as regiões do país, e sobretudo entre eleitores de capitais (de 51% para 60%), mulheres (de 49% para 53%), com idade entre 35 e 54 anos (de 45% para 50%) e renda familiar mensal de até 2 salários mínimos (de 46% para 50%).

A pesquisa XP/Ipespe contou com 1.000 entrevistas telefônicas de abrangência nacional, conduzidas por operadores entre 29 e 31 de março. A margem máxima de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O levantamento também mostrou que o grupo de eleitores que desaprovam a maneira de Bolsonaro administrar o país chegou ao maior patamar já registrado: 60%, em um salto de 4 p.p. em comparação com 20 dias atrás. Foram 15 p.p. de alta ao longo das últimas quatro edições. No mesmo período, o grupo dos que aprovam a atual gestão minguaram de 46% para 33%.

A piora nas perspectivas em relação ao governo federal, porém, contrasta com uma leve melhora na percepção do eleitorado em relação à atuação de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a pesquisa, oscilou de 61% para 58% o grupo dos que a consideram ruim ou péssima, e passou de 18% para 21% os que dizem avaliá-la como boa ou ótima. Ainda assim, os novos índices só não são piores do que os registrados na última edição.

Por outro lado, houve piora na avaliação sobre o desempenho dos governadores na crise. O levantamento mostra que, em um mês, passou de 23% para 31% os que dizem considerar ruim ou péssima a atuação do chefe do Poder Executivo em seu Estado.

Os que avaliam positivamente a atuação dos gestores estaduais ainda são maioria (34%), mas a diferença entre os grupos, que já chegou a ser de 45 p.p. nunca foi tão pequena (3 p.p.).

O levantamento também mostrou uma piora na avaliação da administração dos governadores, com os insatisfeitos, pela primeira vez em um ano, superando numericamente os satisfeitos. De fevereiro para cá, as avaliações negativas saltaram de 24% para 31%, ao passo que as positivas recuaram de 36% para 30%.

Pandemia

A pesquisa XP/Ipespe capturou uma continuidade na preocupação do eleitorado em relação ao momento da crise sanitária no país. De fevereiro para cá, o grupo de entrevistados que dizem estar com muito medo do novo coronavírus saltou de 39% para 55%. No mesmo período, os que afirmam não estar com medo da doença minguaram de 24% para 17%.

Neste contexto de maior preocupação, aumentou o percentual de eleitores que dizem que com certeza tomarão a vacina: 80%, 11 pontos percentuais a mais do que o registrado em janeiro.

O movimento também coincide com uma mudança no discurso do governo em relação aos imunizantes. Dos entrevistados, 5% dizem que com certeza não irão se vacinar – menos da metade do percentual observado no começo do ano.

Economia

Ao contrário da leve melhora na percepção sobre o desempenho de Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, a avaliação do eleitorado sobre aspectos econômicos voltou a piorar.

Agora, 65% dizem que a economia do país está no caminho errado, em uma disparada contínua de 15 pontos percentuais desde dezembro do ano passado.

Já os que dizem que a economia brasileira está no caminho certo passaram a somar 23% do eleitorado, no menor patamar da série histórica do levantamento, iniciada em dezembro de 2019.

Também caiu o percentual de entrevistados que reputam grandes chances de manter o emprego nos próximos seis meses: eram 60% em fevereiro, agora são 47%. Já os que veem tal possibilidade como pequena foram de 35% para 45% no período.

Do lado das dívidas, 36% acreditam que seus compromissos financeiros aumentarão nos próximos seis meses – oscilação negativa de 1 ponto percentual em relação a 20 dias atrás. O grupo supera em 16 p.p. aqueles que esperam uma diminuição em suas dívidas.

Quanto à nova rodada do auxílio emergencial, que começa a ser distribuída pelo governo federal nesta semana, apenas 18% acreditam que serão contemplados pelo benefício – uma queda de 5 pontos percentuais em comparação com pesquisa feita na primeira metade de março. Segundo o levantamento, 67% apoiam a concessão do novo benefício.

Com o agravamento da crise sanitária, cresceu a pressão por um novo benefício, e o governo espera recuperar a popularidade do presidente com a continuidade do programa, embora mais enxuto. O novo auxílio emergencial terá quatro parcelas a um valor médio de R$ 250 e deverá atender cerca de 40 milhões de pessoas.

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