Ministro do Meio Ambiente é alvo de operação da PF sobre setor madeireiro

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) – A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira investigação para apurar suspeita de crimes de corrupção e facilitação de contrabando praticados por agentes públicos e empresários do setor madeireiro na exportação de madeira, tendo como um dos alvos o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A polícia não identificou os alvos da operação, de acordo com as regras da corporação, mas três fontes com conhecimento da ação informaram à Reuters, sob condição de anonimato, que Salles está entre os alvos.

Segundo nota da PF, estão sendo cumpridos no total 35 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Pará e Distrito Federal, e que o Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou o afastamento preventivo de 10 autoridades do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama.

Endereços do ministro em São Paulo, Brasília e no Pará, onde ele montou um gabinete, são alvos de mandados de busca e apreensão, e Salles também teve quebrados os sigilos bancário e fiscal, de acordo com uma das fontes.

Procurada, a assessoria de Salles informou que não tinha uma posição de imediato sobre a operação.

A mesma fonte disse que o presidente do Ibama, Eduardo Bim, foi afastado do cargo pelo Supremo. Segundo o comunicado da PF, a corte também determinou a suspensão imediata da aplicação de um despacho do instituto ambiental.

Além de Bim, também foram afastados por ordem do Supremo o superintendente de Apurações de Infrações Ambientais e o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, assim como um assessor especial do gabinete de Salles, entre outras autoridades da pasta e da agência ambiental, de acordo com duas fontes.

Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama não tinham posicionamentos de imediato.

De acordo com a PF, as investigações que resultaram na ação desta quarta-feira foram iniciadas em janeiro deste ano “a partir de informações obtidas junto a autoridades estrangeiras noticiando possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira”.

Salles já era alvo de um pedido de investigação no âmbito do STF por crimes ligados à venda ilegal de madeira, em que foi apontado pela PF como defensor dos madeireiros. Segundo o pedido, Salles chegaria a respaldar documentos supostamente fraudados de aquisição de madeira.

Após apresentar o pedido ao Supremo, em abril, o então superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, foi substituído do cargo.

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