A cada dois minutos, três pacientes são internados por Covid em São Paulo, diz governo do estado

SÃO PAULO – João Doria (PSDB), governador de São Paulo, disse que a saúde pública “está na iminência de um colapso, o maior no mundo”. “Somos o epicentro da pandemia, com 17% dos casos do planeta de acordo com a Organização Mundial da Saúde”, afirmou o governador em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, nesta sexta-feira (6). “Neste momento, não temos o maior controle sobre a pandemia.”

São Paulo já registrou 61.064 óbitos pela Covid-19. Em todo o Brasil, são 260.970 mortes pela doença. O estado atingiu mais um recorde de ocupação de leitos hospitalares para tratamento da Covid-19, com 77,4% de ocupação nas unidades de terapia intensiva (UTI). Na cidade de São Paulo, o percentual é de 79,1%. São 7.892 pessoas internadas em UTI por conta da Covid-19 no estado.

A cada dois minutos, três pacientes no estado são internados em leitos de enfermaria ou UTIs, ressalta Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde. O número de internações nesta semana epidemiológica superou em 13,5% o visto na semana epidemiológica anterior, que já tinha registrado alta de 18% na comparação semanal. Vale lembrar que esta semana epidemiológico ainda não terminou.

São Paulo anunciou na última quarta-feira (3) que abrirá 500 novos leitos para Covid-19, sendo 339 deles de UTIs. Tais leitos serão ativados a partir da próxima segunda-feira (8) e representam alta de 153% na oferta de UTIs para Covid-19, afirmou Gorinchteyn.

O estado de São Paulo chegará a 8.839 unidades de terapia intensiva no Sistema Único de Saúde (SUS). O secretário estadual ressaltou que ainda não recebeu do governo federal o reembolso pelos leitos de UTI criados pelo governo estadual em janeiro, fevereiro e parte de março.

Dentro de um hospital paulista, uma nova unidade de atendimento dedicada à Covid-19 deverá ser anunciada na próxima segunda-feira (8), afirmou Doria. “A abertura de todo um hospital de campanha levaria um ou dois meses. Não temos esse tempo”, completou Gorinchteyn.

Na coletiva também foi anunciada a iniciativa do Instituto Butantan para desenvolver um soro para tratar e curar os pacientes de Covid-19, que segundo o diretor do Instituto, Dimas Covas, já apresentou “resultados promissores” (veja mais aqui).

Vacinação contra Covid-19 em São Paulo

O governo paulista iniciou sua campanha de imunização no dia 17 de janeiro, vacinando primeiro trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas. Segundo Doria, a primeira dose já foi aplicada em todos os indígenas e quilombolas do estado.

Depois dos idosos com 90 anos de idade ou mais e dos idosos com 85 anos de idade ou mais, os idosos entre 80 e 84 anos foram vacinados no último sábado (27). Na última quarta-feira (3), o estado começou a imunizar a população com 77 a 79 anos de idade. Segundo informações do estado, essa quinta fase de vacinação estima imunizar 430 mil pessoas.

Doria afirmou que novas datas de vacinação devem ser anunciadas na próxima segunda-feira (8).

Segundo os últimos números do Vacinômetro, ferramenta digital desenvolvida em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) que permite acompanhar em tempo real o número vacinas aplicadas no estado, mais de 3 milhões de pessoas já foram imunizadas até as 13h30 desta sexta-feira (5). 2.315.988 receberam apenas a primeira dose, enquanto 758.835 já receberam a segunda aplicação.

Plano São Paulo

Todo o estado de São Paulo entrará em Fase Vermelha a partir das 0h do sábado (6). O período de restrição às atividades econômicas e ao convívio social deve durar 14 dias, entre 6 e 19 de março.

Regiões na Fase Vermelha devem fechar todo o comércio e manter em funcionamento apenas serviços considerados essenciais, como abastecimento e logística, comunicação social, construção civil, educação, farmácias e hospitais, mercados e padarias, postos de combustíveis, transporte coletivo e segurança pública. Restaurantes podem operar no formato de delivery.

A Fase Vermelha é a fase mais restritiva imposta pelo Plano São Paulo, programa de controle da pandemia imposto pelo governo estadual, que condiciona a reabertura econômica aos índices de novos casos, internações e óbitos por Covid-19 nas regiões do estado. O Plano SP divide o estado em regiões e cada uma delas é classificada em uma fase. São cinco, que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (Vermelha) a etapas identificadas como controle (Laranja), flexibilização (Amarela), abertura parcial (Verde) e normal controlado (Azul).

O governador João Doria ressaltou durante a coletiva a importância do isolamento diante do aumento do número de casos de Covid e de ocupação dos leitos, reforçando as diretrizes do Plano SP para as próximas semanas, sem prever mudanças em relação ao que havia sido anunciado anteriormente nesta semana.

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