Biogás de aterro sanitário: Entenda como o metano do lixo vira energia elétrica ou biometano

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Felipe Schroeder dos Anjos

Biogás é o nome dado à mistura de gases liberada pela decomposição de resíduos orgânicos em ambientes controlados, como os aterros sanitários, como alude Felipe Schroeder dos Anjos, engenheiro ambiental. Isto posto, esse processo, muitas vezes tratado apenas como um risco ambiental, esconde um potencial energético que ainda é subutilizado em boa parte dos municípios brasileiros.

O metano gerado pelo lixo, quando capturado corretamente, deixa de ser uma ameaça climática e passa a alimentar redes elétricas ou substituir combustíveis fósseis. Interessado em saber mais sobre? Continue lendo e entenda como esse gás é capturado, tratado e transformado em energia elétrica ou biometano.

O que acontece com o lixo depois de chegar ao aterro?

Assim que os resíduos orgânicos são compactados e cobertos por camadas de solo, bactérias começam a decompor a matéria em ambiente sem oxigênio. Felipe Schroeder dos Anjos expõe que esse processo, chamado de digestão anaeróbia, libera uma mistura de gases ao longo de vários anos, com destaque para o metano e o dióxido de carbono. Inclusive, o tempo de geração desses gases pode se estender por décadas após o fechamento de uma célula do aterro.

A composição do biogás varia conforme o tipo de resíduo, a idade da célula e as condições climáticas locais. Aterros mais antigos tendem a produzir uma mistura mais concentrada de metano, enquanto células recém-fechadas ainda liberam maior volume de dióxido de carbono. Essa variação direta influencia o tipo de aproveitamento energético que se torna viável em cada etapa da operação.

Como o biogás é capturado e tratado?

A captura depende de uma rede de poços verticais instalados dentro da massa de resíduos, conectados a tubulações que conduzem o gás até uma estação de tratamento. Ali, o biogás passa por processos de secagem, filtragem e remoção de compostos corrosivos, como o sulfeto de hidrogênio, antes de seguir para qualquer forma de aproveitamento.

Felipe Schroeder dos Anjos
Felipe Schroeder dos Anjos

De acordo com o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, a eficiência dessa captação depende diretamente da manutenção da rede de poços e do monitoramento constante da pressão dentro do aterro. Assim sendo, vazamentos e falhas de vedação reduzem o volume aproveitável e comprometem os cálculos de geração de energia elétrica ao longo do tempo.

Do metano à energia elétrica: o caminho da conversão

Depois de tratado, o biogás pode alimentar motores de combustão interna ou turbinas adaptadas, que giram geradores e produzem eletricidade. Essa energia costuma ser injetada diretamente na rede de distribuição local, funcionando como uma fonte complementar às usinas convencionais. O processo se aproxima do funcionamento de uma termelétrica, trocando apenas o combustível fóssil pelo gás capturado do próprio aterro.

Esse modelo é especialmente vantajoso para municípios de médio porte, onde o volume de resíduos gerado sustenta uma planta de geração elétrica sem exigir grandes investimentos em transmissão. Nesse ponto, Felipe Schroeder dos Anjos menciona que o gás que antes representava risco ambiental passa a integrar a matriz energética regional.

Biometano ou eletricidade: Qual caminho compensa mais?

A escolha entre gerar eletricidade ou purificar o biogás até o padrão de biometano depende de fatores técnicos e econômicos que variam de um aterro para outro. Segundo o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, o biometano exige uma etapa adicional de purificação, removendo quase todo o dióxido de carbono e outras impurezas até atingir concentração de metano compatível com a rede de gás natural ou com o uso veicular. Ademais, os seguintes fatores também impactam na escolha:

  • Escala do aterro: operações menores tendem a favorecer a geração elétrica, por exigir menos investimento em purificação;
  • Proximidade da rede de gás: aterros próximos a gasodutos ganham competitividade ao optar pelo biometano;
  • Destino final do produto: frotas de veículos movidos a gás natural veicular criam demanda direta para o biometano local;
  • Custo de purificação: tecnologias de upgrading têm preço decrescente, tornando o biometano mais competitivo a cada novo projeto.

No final das contas, a decisão entre os dois caminhos raramente é definitiva, já que muitos empreendimentos migram de um modelo para outro conforme a escala de operação cresce e novos contratos de fornecimento surgem.

O aterro sanitário como peça de uma transição energética mais ampla

O aproveitamento do biogás não resolve sozinho o problema da destinação de resíduos, mas transforma um passivo ambiental em ativo energético mensurável. Cada aterro que capta e trata seu gás reduz emissões que, de outra forma, seguiriam soltas na atmosfera por décadas, sem qualquer contrapartida prática para a sociedade. Dessa maneira, o avanço desse setor depende menos de tecnologia disponível e mais de gestão contínua: manutenção de poços, monitoramento de pressão e planejamento de longo prazo para cada célula do aterro.

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