Investidores sacam R$ 176 milhões de fundos de ações em agosto; ETFs têm depósitos recordes no ano, diz Anbima

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SÃO PAULO – O aumento do risco político e fiscal, acompanhado de revisões para baixo nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de maiores pressões inflacionárias e da alta dos juros abalou os mercados de risco no último mês. O impacto foi sentido também nos fundos de ações.

É isso o que mostra o levantamento feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Segundo relatório mensal de agosto divulgado nesta quarta-feira (8), os fundos de ações tiveram mais resgates do que depósitos em agosto, registrando captação líquida negativa de R$ 176,1 milhões no mês, e interromperam sequência de saldos positivos (com mais aplicações do que saques) que vinha desde fevereiro deste ano.

De acordo com o documento, o desempenho negativo do Ibovespa, que recuou 2,48% no mês passado e ficou no campo negativo no acumulado de 2021, ajudou a impactar o resultado dos fundos de ações.

Apesar disso, a categoria de ações segue com captação líquida de R$ 9,2 bilhões no acumulado do ano, com destaque para os fundos classificados como investimento no exterior, que acumulam entrada líquida de R$ 24,8 bilhões em 2021.

“Os fundos de ações têm demonstrado bons resultados em 2021. Mesmo com as quedas do Ibovespa, eles somam R$ 9,2 bilhões de captação líquida positiva em 2021 e o patrimônio líquido representa 10% de toda indústria de fundos”, explica Pedro Rudge, diretor da Anbima.

Em contrapartida, o movimento de alta de juros em conjunto com uma maior aversão ao risco de parte significativa dos investidores ajudou a impulsionar fundos de renda fixa, com depósitos líquidos de R$ 41 bilhões em agosto – a maior do ano. Da mesma forma, no acumulado de 2021, os fundos de renda fixa apresentam entrada líquida de R$ 192,2 bilhões.

Entre os fundos de renda fixa, destacaram-se os mais conservadores  – sobretudo os que aplicam boa parte dos recursos em ativos atrelados ao DI (Depósito Interbancário) ou à Selic. Em relação às rentabilidades, 13 das 16 subcategorias da renda fixa apresentaram resultados positivos.

Os fundos multimercados, por sua vez, encerraram o mês com depósitos líquidos de R$ 1,9 bilhão, alcançando R$ 91,5 bilhões em 2021. Entre as subcategorias dos multimercados, os fundos classificados como investimento no exterior se destacaram em agosto e no ano por exibirem a maior captação nesses períodos, de R$ 4,9 bilhões e de R$ 66 bilhões, respectivamente.

Já os FIPs tiveram captação líquida de R$ 1,2 bilhão em agosto. Contudo, de janeiro a agosto deste ano, essa classe de fundos acumula mais resgates do que depósitos, num saldo negativo de R$ 11,1 bilhões.

Da mesma forma, fundos de previdência registraram resgates de R$ 1,6 bilhão em agosto. Já no acumulado do ano, a captação líquida ficou no azul em R$ 7,6 bilhões. No mesmo período, os fundos cambiais apresentaram entrada líquida de R$ 18,1 milhões em agosto, e de janeiro a agosto, a captação líquida nessa classe foi da ordem de R$ 471,9 milhões.

Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) também terminaram agosto no negativo, ao fechar o período com resgates líquidos de R$ 6,9 bilhões. Ao longo de 2021, contudo, esses fundos estão no azul, com captação de R$ 55,9 bilhões.

No total, a indústria de fundos de investimento apresentou captação líquida de R$ 38 bilhões em agosto, atingindo o saldo de R$ 350,4 bilhões em 2021.

De olho nos ETFs

Além do destaque para os fundos de ações, os números de captação líquida dos ETFs (fundos de índice) chamaram a atenção no levantamento de agosto. De acordo com os dados da Anbima, os ETFs apresentaram R$ 2,5 bilhões em entrada líquida no mês, superando o resultado de maio, que foi de R$ 2,1 bilhões. Com isso, essa classe de fundos fechou o mês de agosto com o maior saldo mensal no ano.

Os resultados positivos também são sentidos no acumulado de 2021. Segundo a associação, a categoria alcançou R$ 4,4 bilhões em captação líquida de janeiro a agosto de 2021, montante que está atrás apenas do resultado obtido em 2019 em que a entrada líquida foi de R$ 7,8 bilhões.

Rentabilidade

Em relação à rentabilidade, os fundos multimercado estratégia específica – que são focados em commodities, futuro de índice, entre outros – tiveram a melhor rentabilidade em agosto: 0,73%.

Já na renda fixa, o destaque foi para os fundos de duração baixa de crédito livre, que correspondem a produtos que aplicam  em ativos de renda fixa e que podem manter mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco, com 0,58% de retorno.

Os fundos de ações, por sua vez, fecharam no negativo, exceto aqueles que aplicam em ações setoriais – que são focados em empresas de um mesmo setor –, e que encerraram com retorno de 0,04% em agosto.

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