Iluminação pública inteligente garante a base de infraestrutura para ambiente de smart cities

Especialistas apresentaram cases nacionais sobre o tema no 9º encontro do Grupo de Cidades Inteligentes, iniciativa do Programa WTC de Competitividade

O mercado de iluminação pública no Brasil é enorme, tanto para a modernização com LED, quanto inserindo mecanismos inteligentes

Com cerca de 18 milhões de pontos de iluminação pública no Brasil, a melhor infraestrutura para o ambiente de smart cities são os parques já instalados pelo país – e suas modernizações. A chamada “Smart Infrastructure” foi a temática debatida no 9º encontro do Grupo de Cidades Inteligentes (GCI), iniciativa que integra o Programa WTC de Competitividade, do World Trade Center Curitiba, Joinville e Porto Alegre.

O encontro foi mediado pelos executivos Sandro Vieira, presidente do GCI e CEO da SmartGreen Tecnologias S/A, e Caio Castro, sócio-diretor do iCities e vice-presidente do GCI. Dentro da estratégia de learning from experts (que apresenta cases nacionais de sucesso aos membros do grupo), o encontro recebeu três convidados: Tiago Oliveira, gerente comercial da Engie Soluções; Aloisio Pereira da Silva, fundador e CEO da Infracities; e Ivan Vasconcellos, arquiteto hospitalar responsável pelo projeto da Cidade da Saúde e do Saber, de Passos (MG).

“O mercado de iluminação pública que temos no país é enorme, tanto para a modernização com LED, quanto inserindo mecanismos inteligentes. É a grande plataforma de IoT (Internet das Coisas), em que podemos plugar múltiplos serviços em sensoriamento”, introduziu Sandro Vieira, que ressaltou a importância da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública dos Municípios (Cosip), taxa compulsória paga na conta de luz. “É devido a este lastro que as parcerias público-privadas (PPPs) têm sido as ‘meninas nos olhos’ do mercado privado. As prefeituras não podem usar o recurso da Cosip fora da iluminação pública. Por isso vemos tantos projetos nos últimos anos, somado à estruturação das iniciativas no BNDES, CEF e entes privados.”

5G e semáforos inteligentes
Caio Castro enfatizou a importância da infraestrutura inteligente na aplicação de avanços essenciais para as cidades, como a implantação da tecnologia 5G. “Essa questão tem ligação direta com o 5G. Além dos recursos provenientes da Cosip, as receitas acessórias são fundamentais e fazem os projetos existir. Por isso os recursos inteligentes precisam avançar.”

Presente em 60 cidades, a Engie Soluções é responsável por mais de dois milhões de pontos de iluminação pública espalhados pelo mundo, sendo 400 mil deles no Brasil – com destaques para PPPs em Uberlândia (MG) e Petrolina (PE). Com a inserção de semáforos inteligentes em Niterói (RJ), os engarrafamentos reduziram em 30% na cidade.

Tiago Oliveira explicou que cada semáforo possui um mecanismo com uma câmera, que se comunica com um software supervisor que também pode ser controlado manualmente. “Esse semáforo faz leitura do fluxo e do tipo de veículos, se comunicando com outros semáforos daquela rede. Dessa forma, se reduz o tempo em que um determinado semáforo ficaria vermelho, para escoar mais rápido o fluxo naquele horário. Isso desafoga o trânsito, faz com que o sistema vermelho seja vivo e adaptado ao fluxo de trânsito da cidade.”

Criada para reduzir os custos de construção e manutenção de obras entre concessionárias de redes de infraestrutura, bem como reduzir acidentes em escavações, a Infracities oferece um sistema que integra o planejamento urbano. “Temos mais de 20 anos de atuação neste ramo, trazendo inovação em uma nova geração de infraestrutura e mobilidade sustentável para as cidades, com conceitos da Indústria 4.0 e Lixo Zero, alinhado com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Para a tecnologia 5G, nosso desafio é instalar as antenas de forma segura e resiliente, diante do cenário complexo em cidades como Curitiba”, apresentou Aloisio Pereira da Silva.

Uma “cidade” concebida do desenho urbano até a infraestrutura para desenvolver um novo modelo de atenção à saúde, que integra as melhores práticas de cuidado médico com a busca pela promoção do bem-estar. “Essa é a Cidade da Saúde e do Saber, projeto inovador que vem sendo desenvolvido pela Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG) para expandir suas instalações e o atendimento à população de 60 municípios. O complexo de saúde e pesquisa também vai ser um laboratório para testar soluções e tecnologias que poderão servir de modelo para outras cidades. Estamos conduzindo esse trabalho com o iCities, hub especializado em projetos e soluções de cidades inteligentes”, detalhou Ivan Vasconcellos.