Admirado por políticos, presidente do Fed deve seguir no cargo

(Bloomberg) — O comandante do banco central americano, Jerome Powell, ergueu uma reputação como defensor habilidoso do Federal Reserve graças aos fortes laços pessoais com congressistas, que vão ajudar se ele for nomeado para um segundo mandato.

Durante seus três anos no cargo, Powell foi o líder do Fed que mais fez esforços de relacionamento desde Alan Greenspan, frequentador assíduo do circuito de coquetéis. Já Powell mostra uma abordagem mais trabalhadora.

Entre fevereiro de 2018, quando assumiu o posto, até junho deste ano, ele compareceu a pelo menos 350 reuniões, jantares ou telefonemas com parlamentares, de acordo com suas agendas mensais. Foram quase nove interações por mês, na média, e muitos eventos incluíram mais de um legislador.

Essa contagem exclui pelo menos 16 depoimentos a comissões parlamentares.

Powell, 68 anos, já era favorito para permanecer no cargo e sua renomeação teve impulso significativo quando a secretária do Tesouro, Janet Yellen, que já ocupou a presidência do Fed, disse a assessores diretos do presidente Joe Biden que apoia a permanência dele na função.

A expectativa é que Biden tome a decisão sobre quem nomear para o mandato de quatro anos à frente do Fed perto do Dia do Trabalho, celebrado em 6 de setembro este ano nos EUA.

A distribuição de assentos no Senado está igualmente dividida entre republicanos e democratas em 50-50. Os relacionamentos de Powell com senadores podem ser úteis no processo de confirmação, dado que alguns políticos progressistas expressaram preocupações em relação ao histórico dele quando se trata de regulamentação bancária. Ele conquistou republicanos e democratas no Congresso em um momento em que Biden precisa urgentemente recuperar a boa vontade deles, diante da crise no Afeganistão.

Powell foi aprovado pelo Senado em 2018 com 84 votos a favor e 13 contra. Ele tomou posse prometendo reparar as relações com o Congresso, chegando a dizer em uma entrevista que pretendia “desgastar o carpete do Capitólio”.

Motivos para isso não faltavam.

Na época, a imagem do Fed estava gravemente abalada pela crise financeira global de 2008-2009. Grande parte do público e muitos políticos culparam o Fed por não prever a crise e por resgatar os bancos responsáveis pelo desastre. Os republicanos ficaram especialmente horrorizados com a reação emergencial do Fed, que incluiu compras sem precedentes de títulos do Tesouro e títulos garantidos por hipotecas, a fim de acalmar os mercados financeiros e estimular a economia.

Powell não só reconstruiu o respeito dos dois partidos pelo Fed em Washington como também conquistou aliados pessoais. Até mesmo republicanos contrários à insistência dele de trazer o clima e a desigualdade racial para o debate defendem que ele seja renomeado.

A porta-voz do Fed, Michelle Smith, se recusou a comentar questões relacionadas ao processo de nomeação.

Powell foi sócio do Carlyle Group e trabalhou no Departamento do Tesouro em Washington durante o governo de George H.W. Bush.

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