Como empresário do segmento financeiro, Paulo de Matos Junior observa que a autorização concedida a uma PSAV pelo Banco Central não representa o fim do processo regulatório, mas o início de uma relação de supervisão permanente. A distinção costuma escapar da compreensão de quem acompanha a regulação apenas pela cobertura inicial dada às exigências de autorização, sem atenção ao que ocorre depois de concedida a licença. Compreender essa segunda fase ajuda a explicar por que algumas empresas autorizadas acabam perdendo a licença meses ou anos depois de iniciarem a operação.
O que muda depois da autorização concedida?
Uma vez autorizada, a PSAV passa a se submeter a um regime de acompanhamento contínuo, que inclui o envio periódico de relatórios financeiros e operacionais ao Banco Central. Esses relatórios permitem ao regulador identificar variações relevantes na estrutura de capital ou no volume de operações da empresa ao longo do tempo, além de sinalizar antecipadamente riscos que poderiam passar despercebidos em uma análise pontual.
Paulo de Matos Junior explica que esse acompanhamento periódico funciona de forma semelhante ao que já ocorre com bancos e demais instituições financeiras, adaptando prazos e formatos às particularidades técnicas de um negócio baseado em ativos digitais. A frequência de envio tende a variar conforme o porte e o volume de operações de cada empresa autorizada.
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Além dos relatórios periódicos enviados pelas próprias empresas, o Banco Central pode realizar inspeções diretas, solicitando documentação específica ou visitando as instalações da PSAV para verificar a conformidade com as normas vigentes. Inspeções desse tipo também são praticadas rotineiramente em outras instituições do sistema financeiro nacional, geralmente sem aviso prévio detalhado sobre o escopo exato da verificação.

Sistemas de monitoramento eletrônico complementam essa supervisão, cruzando dados enviados pelas próprias empresas com informações de outras fontes regulatórias, o que amplia a capacidade de identificar inconsistências sem depender exclusivamente da boa-fé das empresas fiscalizadas. A combinação entre relatórios, inspeções e monitoramento eletrônico forma uma rede de verificação com poucas brechas.
A preparação das empresas para essa rotina de supervisão
Manter uma área de compliance dedicada a acompanhar prazos regulatórios e organizar a documentação exigida tornou-se prática necessária para PSAVs que pretendem operar sem sobressaltos. Empresas que tratam essa função como acessória tendem a enfrentar dificuldades crescentes à medida que a fiscalização se intensifica, muitas vezes descobrindo falhas apenas quando já é tarde para corrigi-las sem custo reputacional. Contratar profissionais dedicados a essa área desde o início costuma sair mais barato do que montar uma estrutura às pressas diante de uma notificação do regulador.
Investir em uma estrutura de compliance robusta desde o início tende a ser mais eficiente do que corrigir falhas identificadas posteriormente pelo regulador, quando o custo reputacional e financeiro de qualquer irregularidade já é bem mais alto. Planejamento antecipado costuma custar menos do que remediação sob pressão de prazo, na análise de Paulo de Matos Junior.
O que essa supervisão representa para investidores?
Para quem investe ou negocia por meio de uma PSAV, a existência de supervisão contínua funciona como uma camada adicional de segurança, já que problemas na operação da empresa tendem a ser identificados antes de se agravarem a ponto de comprometer os recursos de clientes, reduzindo a probabilidade de surpresas desagradáveis para quem já mantém recursos aplicados junto à empresa.
Na avaliação de Paulo de Matos Junior, esse acompanhamento constante consolida, na prática, a diferença entre um mercado formalmente regulado e um ambiente de autorização apenas simbólica, reforçando a credibilidade das empresas que efetivamente atendem às exigências do Banco Central ao longo do tempo, e não apenas no momento da obtenção da licença.
