Evento em Esteio reúne inovação, conectividade e novas ferramentas para aumentar eficiência, produtividade e competitividade das propriedades rurais.
A tecnologia ganhou espaço estratégico na 49ª Expointer, realizada em Esteio (RS), e reforçou uma mudança importante no agronegócio: inovação deixou de ser apenas um diferencial para se tornar uma ferramenta de competitividade. Em 31 de agosto, a programação da feira incluiu a Trilha Agro by South Summit Brazil, reunindo empresas, produtores e representantes do ecossistema de inovação para discutir soluções voltadas aos principais desafios do setor.
O movimento interessa diretamente ao produtor rural porque tecnologias digitais podem atuar em pontos que pesam cada vez mais no resultado da propriedade, como custos operacionais, produtividade, uso de insumos, gestão e tomada de decisão. A discussão também ocorre em um momento no qual a agricultura brasileira amplia o uso de sensores, máquinas conectadas, drones, plataformas de dados e automação. Mais do que acompanhar uma tendência, o produtor precisa entender quais dessas ferramentas realmente podem gerar retorno econômico.
Por que a tecnologia virou uma questão de produtividade no campo?
A expansão das tecnologias agrícolas está relacionada à necessidade de produzir mais com recursos cada vez mais bem administrados. Em uma propriedade rural, decisões sobre plantio, aplicação de insumos, irrigação, manutenção de máquinas e logística podem gerar diferenças significativas no custo final da produção. Quando essas decisões passam a ser apoiadas por dados, o produtor consegue identificar problemas com maior antecedência e direcionar recursos para os pontos que apresentam maior necessidade.
A agricultura digital também permite conectar informações que anteriormente ficavam separadas. Dados de máquinas podem ser combinados com informações climáticas, imagens de satélite, sensores de solo e registros históricos da propriedade para criar uma visão mais detalhada da operação. A Embrapa vem destacando justamente essa integração entre dados e inteligência como um dos caminhos para tornar a agropecuária mais conectada e orientada por informações.
O desafio, porém, não está apenas em comprar equipamentos modernos. Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Embrapa e da Unicamp mostrou que a adoção de tecnologias digitais depende de fatores como infraestrutura disponível, contexto da propriedade e capacidade de a solução responder a necessidades concretas do produtor. A metodologia foi criada justamente para avaliar o potencial de sucesso de tecnologias agrícolas antes de sua adoção, mostrando que uma ferramenta sofisticada pode ter pouco resultado quando não existe estrutura adequada para utilizá-la.
Quais tecnologias podem reduzir custos e melhorar a gestão rural?
Entre as ferramentas que ganham espaço estão drones, sensores, sistemas automatizados, máquinas inteligentes e plataformas de gestão. Os drones, por exemplo, podem ajudar no monitoramento de lavouras e na identificação de áreas que precisam de atenção, enquanto sensores permitem acompanhar determinadas condições do solo e do ambiente. Em vez de tratar toda a propriedade da mesma maneira, o produtor pode utilizar essas informações para direcionar operações de acordo com as necessidades encontradas em diferentes áreas.
A automação também pode contribuir para enfrentar um dos problemas apontados por produtores de diferentes regiões: a disponibilidade de mão de obra. Durante o AgroBV 2026, realizado em Roraima, foram apresentadas soluções envolvendo drones agrícolas, máquinas modernas, energia solar e sistemas automatizados, com o objetivo de tornar as operações mais rápidas, econômicas e precisas. O exemplo mostra que a tecnologia agrícola não está restrita às grandes regiões produtoras do Centro-Oeste e do Sul, podendo alcançar propriedades de diferentes perfis.
Outro ganho potencial está na gestão. Um sistema digital pode reunir informações de estoque, operações, custos, produção e desempenho das máquinas em um mesmo ambiente, facilitando o acompanhamento da propriedade. Para cooperativas e empresas que atendem vários produtores, a utilização de dados também pode ajudar a identificar padrões e oferecer serviços mais personalizados. Isso abre espaço para novos negócios no campo, desde plataformas de gestão até serviços de monitoramento, conectividade e análise de dados.
Entretanto, o retorno financeiro precisa ser analisado antes da adoção. Uma tecnologia que economiza insumos, combustível ou horas de operação pode apresentar justificativa econômica clara, enquanto uma ferramenta que apenas adiciona funcionalidades ao sistema de gestão pode não produzir o mesmo resultado. Por isso, a tendência é que o produtor passe a avaliar cada inovação pelo impacto sobre produtividade, custo por hectare, redução de desperdícios e capacidade de melhorar decisões.
O que produtores devem esperar da próxima fase da agricultura digital?
A próxima etapa da transformação tecnológica do campo deverá ser marcada pela integração de diferentes soluções. Em vez de utilizar um drone isoladamente ou uma plataforma separada para gestão, a tendência é conectar máquinas, sensores, imagens, informações climáticas e sistemas de análise. Essa combinação pode permitir que dados coletados na propriedade sejam transformados em recomendações mais rápidas para o produtor, aproximando a agricultura digital de uma gestão operacional em tempo real.
A discussão sobre inteligência artificial também deve ganhar importância nesse processo. Em agosto, Embrapa Agricultura Digital e AgGateway realizaram uma reunião técnica dedicada à regulação da IA no agronegócio, com foco no desenvolvimento seguro das tecnologias e na democratização do acesso para pequenos e médios produtores. O debate mostra que a expansão da inovação não dependerá somente de capacidade tecnológica, mas também de regras, segurança de dados, interoperabilidade e confiança nas soluções utilizadas.
Para o agronegócio brasileiro, essa transformação pode representar uma oportunidade especialmente relevante. O país possui grande diversidade de culturas, extensas áreas produtivas e diferentes modelos de propriedade, o que cria espaço para soluções adaptadas às necessidades regionais. Ao mesmo tempo, conectividade insuficiente, custo de equipamentos e falta de capacitação ainda podem limitar a adoção, especialmente entre produtores menores.
A Expointer reforça que o debate sobre tecnologia no campo já ultrapassou a ideia de novidade e entrou na agenda econômica do setor. Nos próximos meses, a tendência é que produtores, cooperativas e empresas procurem soluções capazes de apresentar retorno mensurável, principalmente em produtividade, redução de custos e gestão de riscos. Para quem pretende investir em inovação rural, o diferencial não será necessariamente ter a tecnologia mais avançada, mas escolher aquela que resolve um problema real da propriedade e consegue transformar dados em decisões melhores.
Fontes:
- Governo do Rio Grande do Sul — Trilha Agro by South Summit Brazil na Expointer 2026
- Agrolink — Expectativas para a Expointer 2026 e novidades da indústria de máquinas
- Band Agro — Expointer 2026 aposta em inovação e carbono neutro
- Universidade Feevale — Hub Agro e programação de inovação na Expointer
- Rádio Pampa — Tecnologia e conectividade no agro na Expointer
- Embrapa — Agricultura Digital e inovação tecnológica no agro
