O mercado de trabalho brasileiro segue surpreendendo analistas em 2026. Mesmo com a Selic ainda em patamar elevado e um cenário externo marcado por incertezas geopolíticas, o país continua abrindo vagas com carteira assinada em ritmo consistente, mês após mês. Os dados mais recentes do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram um mercado que resiste às pressões macroeconômicas e segue como um dos principais indicadores de que a economia real ainda reage de forma positiva, mesmo em um ambiente de crédito mais caro.
O retrato de um ano de recordes
Os números de 2025 fecharam de forma expressiva. O mercado de trabalho formal apresentou crescimento em todo o país ao longo de 2025, com saldo positivo de vagas com carteira assinada. Todas as 27 unidades da Federação registraram saldos positivos na geração de empregos com carteira assinada, com destaque para São Paulo, que criou mais de 311 mil postos no ano, seguido por Rio de Janeiro e Bahia. Estados menores também surpreenderam: as maiores taxas proporcionais de crescimento foram observadas no Amapá, na Paraíba e no Piauí, o que mostra que a geração de empregos não ficou concentrada apenas nos polos econômicos tradicionais.
Ainda de acordo com o balanço anual, o país encerrou 2025 com saldo positivo de mais de 1,27 milhão de empregos formais, elevando o estoque de trabalhadores com carteira assinada para cerca de 48,4 milhões de vínculos. Esse volume reforça a tendência de formalização que vem se consolidando nos últimos anos, puxada principalmente pelo setor de serviços.
O que mudou nos meses mais recentes
Entrando em 2026, o ritmo de contratações perdeu um pouco de fôlego, mas seguiu positivo. Em maio, o saldo de empregos formais foi de 72.960 postos de trabalho, resultado de mais de 2,2 milhões de admissões e cerca de 2,1 milhões de desligamentos no mês. Foi, segundo a cobertura da imprensa especializada, o menor saldo mensal do ano até aquele momento, o que gerou certa cautela entre analistas sobre a força da economia no segundo semestre. GOV.BRReaja Agora News
Já em junho, o cenário voltou a melhorar. O Brasil criou 166.621 empregos com carteira assinada no mês, com mais de 2,1 milhões de contratações e cerca de 1,97 milhão de demissões registradas. Todos os cinco grandes setores da economia tiveram resultado positivo: os Serviços lideraram com 77 mil novas vagas, seguidos pelo Comércio, pela Agropecuária, pela Indústria e pela Construção. Esse desempenho ajudou o país a superar a marca de 1,2 milhão de empregos formais criados apenas no primeiro semestre do ano. Agência GovAgência Gov
Diferenças entre setores, gênero e faixa etária
Os dados detalhados do Caged também revelam nuances importantes sobre quem está sendo contratado. Em junho, foram criados mais empregos para homens do que para mulheres, embora elas tenham se destacado nas contratações dos setores de serviços e comércio. Entre os mais jovens, o resultado também chamou atenção: foram abertas mais de 102 mil vagas para pessoas entre 18 e 24 anos, além de um saldo positivo entre adolescentes aprendizes. Houve ainda crescimento relevante entre trabalhadores com ensino médio completo, o que indica uma leve elevação na exigência de qualificação para as novas contratações.
Um alerta que passa despercebido: a rotatividade
Nem tudo, porém, é só boa notícia. Um dado que costuma ficar em segundo plano nas coberturas é a rotatividade do mercado de trabalho, que mede a proporção de desligamentos em relação ao total de vínculos. A taxa de rotatividade do emprego formal passou de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, um aumento que sinaliza que, embora o país esteja criando mais vagas, também está perdendo trabalhadores em ritmo mais acelerado. Isso reforça a importância de olhar não apenas para o saldo líquido de empregos, mas para o comportamento completo do mercado, incluindo admissões e desligamentos.
Como interpretar os números na hora de buscar uma vaga
Para quem está em busca de recolocação profissional, especialistas recomendam cautela na leitura isolada dos números mensais. Uma boa prática é evitar comparar apenas um mês isolado e observar o acumulado do ano junto com a tendência trimestral. Também vale lembrar que o desempenho de cada estado pode ser bem diferente do resultado nacional, assim como alguns setores contratam mais em períodos específicos do ano por conta da sazonalidade. Outro ponto de atenção é que o Caged retrata apenas o mercado formal, com carteira assinada, e não inclui a informalidade, o que significa que o cenário real do emprego no Brasil é ainda mais amplo do que os números oficiais sugerem.
O calendário das próximas divulgações
O Ministério do Trabalho e Emprego mantém um calendário fixo de divulgação dos dados. A competência de junho será apresentada no fim de julho, e os números de julho estão previstos para serem divulgados em 28 de agosto de 2026, seguindo o cronograma oficial do Novo Caged. Quem acompanha o mercado de trabalho, seja por interesse profissional, seja para embasar decisões de contratação, pode consultar o histórico completo diretamente no Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho, vinculado ao ministério.
De forma geral, o quadro que se desenha para 2026 é de um mercado de trabalho ainda resiliente, mas com sinais de moderação em relação ao ritmo forte observado nos últimos anos. A combinação de juros altos, inflação em trajetória de alta e um cenário internacional instável tende a manter esse equilíbrio delicado entre geração de vagas e aumento da rotatividade ao longo dos próximos meses.
Fontes consultadas:
- Novo Caged: Brasil encerra 2025 com saldo positivo de 1,27 milhão de empregos formais — Ministério do Trabalho e Emprego
- Novo Caged maio 2026: Brasil cria 72.960 vagas — Reaja Agora
- Brasil tem mais 166 mil novos empregos formais em junho e supera 1,2 milhão no semestre — Agência Gov
- Calendário de Divulgação do Novo Caged 2026 — Ministério do Trabalho e Emprego
