Timing é uma das variáveis mais subestimadas no mercado de créditos estressados, e, como alude Felipe Rassi, identificar um ativo com potencial de recuperação é apenas metade do trabalho; saber em qual estágio do ciclo de estresse a operação está e o que esse estágio implica para a estratégia de atuação é o que diferencia resultados consistentes de retornos medíocres. O mercado pune tanto a entrada precipitada quanto a hesitação prolongada, e a linha entre esses dois erros é mais tênue do que parece.
Saiba mais a seguir!
Entrar cedo ou esperar: o dilema do timing na aquisição
Como comenta Felipe Rassi, a tentação de entrar cedo em uma operação de crédito estressado é compreensível: os preços são menores, a concorrência é menor e a margem potencial de retorno é mais alta. O problema é que os riscos são correspondentemente maiores. Créditos em estágio inicial de estresse frequentemente ainda não passaram pela depuração jurídica que revela as garantias realmente executáveis, os passivos que competem com o crédito em questão e o comportamento do devedor diante da pressão credora. Entrar nesse momento exige capacidade analítica aprofundada e tolerância à incerteza que nem todos os investidores possuem.
Esperar pela maturação do processo, quando as principais variáveis já estão definidas, reduz o risco de surpresas mas comprime o retorno. O ativo já foi precificado por outros agentes de mercado, a competição por sua aquisição aumenta e os descontos refletem um risco melhor mensurado, o que significa que parte do prêmio foi redistribuída para quem assumiu a incerteza inicial. A decisão sobre qual postura adotar precisa ser coerente com o perfil de risco do investidor, não com a busca isolada pelo maior retorno absoluto.
Existe uma janela de entrada que muitos operadores experientes preferem: o momento em que o processo já tem clareza suficiente sobre a posição do crédito na hierarquia credora, mas ainda não atraiu atenção suficiente do mercado para comprimir os descontos disponíveis. De acordo com o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, identificar essa janela exige monitoramento ativo, acesso a informações processuais atualizadas e capacidade de mover-se com rapidez quando a análise confirma a tese.
A arte da negociação com devedores em situação de estresse
Negociar com um devedor em estresse financeiro é um exercício que demanda equilíbrio entre firmeza e pragmatismo. A postura credora que exerce pressão máxima sem deixar espaço para acordo frequentemente produz o resultado menos desejável, sendo um devedor que prefere o processo judicial longo ao acordo que exigiria reconhecer uma perda imediata. A negociação eficaz reconhece que o devedor, mesmo em posição fragilizada, ainda tem poder de barganha relevante, portanto, pode tornar o processo mais lento, mais caro e mais incerto do que qualquer modelagem financeira previu.

Segundo Felipe Rassi, os acordos mais eficientes no mercado de créditos estressados são aqueles que criam valor para ambos os lados dentro das restrições existentes. O credor obtém recuperação mais rápida e mais certa do que o processo judicial ofereceria. O devedor obtém condições que preservam algo de sua estrutura patrimonial ou operacional. Construir essa lógica compartilhada na mesa de negociação exige preparação prévia detalhada, clareza sobre os limites de concessão e disposição para ouvir antes de propor.
O momento certo para negociar raramente é imediatamente após a aquisição do crédito. Estabelecer posição, demonstrar capacidade técnica e sinalizar disposição para conduzir o processo até o fim cria uma pressão que frequentemente abre espaço para conversas que não existiriam logo após a entrada. Operadores que entendem essa dinâmica usam o tempo como ferramenta estratégica, não como inimigo.
Quando o recuo é a decisão mais inteligente
Assim como destaca o empresário Felipe Rassi, recuar de uma operação, seja desistindo de uma aquisição analisada ou vendendo uma posição já constituída, é uma decisão que o mercado de créditos estressados exige com frequência maior do que a maioria dos operadores admite. A combinação de viés de confirmação e custo afundado leva investidores a persistirem em operações que apresentaram sinais claros de deterioração, na esperança de recuperar o que foi investido em análise, tempo e capital.
Os sinais que devem motivar o recuo antecipado incluem: deterioração relevante da garantia após a entrada, surgimento de passivos fiscais ou trabalhistas que alteram a hierarquia de recuperação, comportamento ativo do devedor para comprometer a executabilidade da garantia e mudanças no ambiente regulatório ou judicial que alteram as premissas originais da tese. Quando dois ou mais desses sinais se materializam simultaneamente, a probabilidade de que a operação entregue o retorno projetado cai de forma significativa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
