Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, constata que os recorrentes furtos de petróleo de oleoduto representam um desafio crítico que ultrapassa as questões de segurança pública e atinge a integridade ambiental e econômica do Brasil. Além disso, a persistência de organizações criminosas em perfurar dutos exige que o setor adote não apenas medidas repressivas, mas também uma revisão profunda nos métodos de instalação da malha dutoviária nacional.
Continue a leitura para descobrir por que a mudança na forma como construímos nossos dutos pode ser a solução definitiva para este problema histórico.
Como as quadrilhas operam no furto de petróleo de oleoduto?
O crime organizado desenvolveu um alto grau de sofisticação logística para realizar o acesso clandestino às tubulações enterradas. Como ressalta Paulo Roberto Gomes Fernandes, as quadrilhas utilizam túneis extensos, comunicações criptografadas e contas bancárias em nome de terceiros para ocultar a rastreabilidade financeira de suas atividades.
A localização de um túnel de sete metros na região de Rio das Flores demonstra que os criminosos possuem conhecimentos técnicos para acessar dutos como o Orbel II sem causar interrupções imediatas no fluxo. Dessa forma, essa estrutura permite que o petróleo bruto seja desviado para veículos alugados e revendido como matéria-prima para indústrias de cerâmica e borracha. A reincidência desses grupos, mesmo após diversas operações policiais, sinaliza que a rentabilidade do crime compensa os riscos jurídicos atuais.
Quais são as alternativas tecnológicas para impedir o crime?
A modernização da infraestrutura dutoviária no Brasil passa pelo debate sobre modelos que ampliem a visibilidade operacional e reduzam vulnerabilidades associadas a intervenções clandestinas. Nesse contexto, os sistemas aparentes ou encapsulados ganham relevância por permitirem inspeções mais rápidas e acessíveis, além de dificultarem ações ilegais que dependem de ocultação.

A adoção de dutos expostos pode facilitar monitoramentos por drones, câmeras térmicas e inspeções aéreas, criando uma camada adicional de vigilância preventiva ao longo das faixas de servidão. Além disso, entre as soluções consideradas estratégicas estão os sensores de fibra óptica, capazes de identificar vibrações anormais e tentativas de perfuração em tempo real, além do fortalecimento de canais de denúncia comunitária e da integração entre empresas privadas, universidades e centros de pesquisa.
Por que a mudança no modelo construtivo é uma questão de segurança nacional?
A integridade do fornecimento de energia e a proteção de vidas humanas elevam o debate sobre os dutos a uma questão de prioridade estatal. Como considera Paulo Roberto Gomes Fernandes, tragédias históricas como a de Vila Socó não podem ser esquecidas, pois servem de alerta para o que pode ocorrer quando um oleoduto sofre intervenções sem controle técnico.
Além disso, o transporte por dutos é intrinsecamente seguro e eficiente, mas a ação criminosa transforma esse ativo em uma bomba-relógio para as comunidades do entorno. A insistência na construção de novos projetos sob o modelo convencional enterrado pode estar ignorando evidências de que a malha aparente oferece maior proteção contra sabotagens. A evolução do mercado exige que as operadoras de logística petrolífera sejam receptivas a novos estudos e tecnologias de suporte que já são debatidos em conferências internacionais.
A inovação e o combate ao crime
A erradicação definitiva dos furtos de petróleo de oleoduto passa obrigatoriamente pela coragem de inovar na forma como os ativos são planejados e executados. Como resume Paulo Roberto Gomes Fernandes, a Operação Infractio demonstra que a polícia está fazendo sua parte, mas a engenharia precisa fornecer soluções que dificultem fisicamente a ação dos criminosos.
Além disso, a adoção de métodos construtivos mais modernos e transparentes elevará o Brasil a um novo patamar de segurança operacional. A integração entre tecnologia, inteligência policial e conscientização comunitária formará o tripé necessário para proteger nossa logística energética. O compromisso com a vida e com a preservação ambiental deve guiar cada novo quilômetro de duto construído em território nacional.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
