Commodities industriais acumulam alta de até 155% em dois anos, diz levantamento

Em pouco mais de dois anos, os custos das principais commodities do setor industrial apresentaram um crescimento de até 155%.

Um levantamento produzido pelo economista Alberto Ajzental, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a CNN, aponta que desde janeiro de 2020, o preço do barril de petróleo do tipo Brent cresceu 118%, em real. Deste total, 25% só neste ano.

A bobina de aço apresentou aumento de 155%, seguida por altas de 77% do alumínio e 72% do cobre.

De acordo com Alberto Ajzental, a escalada nos preços dessas commodities explica a inflação generalizada nos preços por todo o mundo e a dificuldade do crescimento econômico após os dois choques de oferta mundiais: a pandemia da Covid-19 e guerra na Ucrânia.

“Quando tem um problema na oferta que deixa a matéria-prima mais cara, o produto final vai ficar mais caro. Se há um aumento nos metais, tudo que usa esses metais vai ficar mais caro. Então tem um choque no custo”, explica Ajzental.

Segundo o especialista, o petróleo, por exemplo, além dos combustíveis derivados, é utilizado na produção de borracha, plástico e asfalto. Já no caso do cobre, aço e alumínio, o aumento no preço desses produtos impacta principalmente na construção civil, indústria automobilística e de máquinas, mas também o preço de maquinários.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a produtividade do setor caiu 4,6% no ano passado, a maior retração na série histórica apurada pela entidade desde 2000. A menor produtividade é calculada em função das horas de trabalho nas fábricas e do volume de bens produzidos.

O economista da FGV explica que o choque de oferta e de custo causa um círculo vicioso na economia, aumentando preços, diminuindo a renda e gerando mais desemprego.

“Quando o produto final para o consumidor está mais caro e a renda está menor, o tamanho do mercado diminui. Com isso, a indústria produz menos unidades, e produzindo menos duas coisas acontecem: o custo fixo por unidade produzida fica mais caro, e o empresário reduz jornada e número de empregados”, aponta.

Ainda segundo o levantamento da CNI, a produtividade da indústria caiu em todos os trimestres de 2021. A maior queda foi no começo do ano — durante a segunda onda de contágio, provocada pela variante Ômicron do novo coronavírus.

Além dos preços dos insumos, a variação do câmbio nos últimos dois anos também afetou o setor, que é quase todo dolarizado. Segundo Ajzental, de janeiro de 2020 até agora, o dólar apresentou aumento de 16%.

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