Não estamos trabalhando em um manifesto

Nossa intenção é atuar como parceiros, mobilizando a força da iniciativa privada do norte gaúcho

Márcia Capellari, presidente do hub de inovação da Imed, revela neste artigo exclusivo como a Aliança Empresarial Norte do RS pretende impactar a economia local

Um grupo de empresários se reuniu há dois anos para pensar como poderia transformar a região Norte do Rio Grande do Sul no próximo Vale do Silício. Aquele foi o início de uma articulação que, hoje, reúne nove grandes empresas e se concretiza no Programa Aliança Empresarial Norte/RS. Essa iniciativa, que faz parte do hub de inovação da Imed, foi criada para conectar problemas com soluções inovadoras que passam pela transformação cultural e digital de nossas empresas.

Até o momento, as companhias que compõem a Aliança, juntas, são responsáveis por um faturamento de mais de R$ 115 bilhões e pela geração de cerca de 211 mil empregos diretos. Criamos esse programa para empresários que desejam mudar a história do Norte gaúcho e sabemos que, para alcançar a transformação que desejamos, é preciso começar por dentro, promovendo mudanças em suas empresas para serem exemplos. Isso porque a transformação começa pelas pessoas que impactam a cultura e desenvolvem visão de dono para captar oportunidades que podem inovar a empresa dentro e fora dela.

Desse modo, colocamos nosso time de mentores e executivos para conduzir as experiências práticas, além de conhecer pessoalmente os ecossistemas de empresas que se transformaram, identificando dores, erros e acertos. Ainda desenvolvemos uma trilha de aprendizagem para o gestor de inovação corporativa que será o sponsor chave do projeto de inovação. O gestor precisa possuir características comportamentais e técnicas fundamentais para conseguir conduzir a implantação de um programa de inovação que deve estar alinhado com os objetivos estratégicos da organização.

Também compreendemos que investimento é algo crucial. Por isso, ao longo de 2020, a Imed já aportou mais de R$ 12 milhões entre estruturas e ações para inovação. Somado a isso, além do desenvolvimento organizacional, que fortalece a economia local, as empresas integrantes da Aliança Empresarial também realizam negócios entre si e trocam experiências em programas de inovação aberta com suas equipes que, atualmente, são chamadas de célula de inovação corporativa.

Os executivos dessas companhias passaram a atuar como mentores das startups do hub de inovação e são preparados para entender como a diversificação de investimentos pode solucionar problemas que impactam na melhoria de eficiência organizacional. Atualmente, o programa de inovação aberta conta com cinco startups atuantes nos clusters healthtech, edtech e agrotech e Indústria 4.0.

Na área de telemedicina, a Doutor Call é acelerada pela Rede de Farmácias São João. Já no setor da educação, a EC está em aceleração pela Imed. Outro exemplo é a Razor Computadores que, apoiada pela Aliança, conquistou recentemente um investimento de R$ 1,8 milhão, através de equity crowdfunding. Nossa meta é, no próximo ano, termos, no mínimo, dez startups investidas nos clusters. Além disso, a Imed organiza o lançamento de um fundo de investimento próprio para potencializar o ecossistema de inovação e empreendedorismo com startups de educação.

Acreditamos que o exemplo será o grande mobilizador para que mais empresas se unam a essa aliança. Por isso, também no próximo ano, teremos um calendário de workshops e encontros focados na apresentação das transformações realizadas pelas empresas que já iniciaram seus programas de inovação. No entanto, é importante frisar: nosso foco não está na quantidade, mas sim na qualidade. Assim, antes de iniciar no programa, avaliamos se a empresa está preparada para incorporar as mudanças necessárias. Isso porque não estamos tratando de desenvolver ou adotar tecnologias, mas de mudança de comportamento e cultura inicialmente.

A inovação não pode ser vista como uma modinha, pois ela é, sim, uma questão de sobrevivência. A pandemia acelerou um processo de transformação que já estava em curso no mundo inteiro, deixando evidente a nós, empresários, que não existe mais possibilidade de escolha. Ou mudamos ou o mercado nos muda.

Na Aliança Empresarial Norte/RS não estamos trabalhando em um manifesto, tampouco em um grupo com viés político ou partidário. Embora reconheçamos a relevância das ações políticas para o desenvolvimento regional, nossa intenção é atuar como parceiros, mobilizando a força da iniciativa privada. Estamos unindo empresas com o propósito de transformar desafios em oportunidades e criar soluções conjuntas para geração de novos negócios que impactem a economia local. Esse é, certamente, um novo capítulo da história e da economia do Norte do Rio Grande do Sul que vai reverberar de forma regional e nacional.

*Presidente do hub de inovação da Imed