Bolívia foca em plano de austeridade como solução para crise

(Bloomberg) – A Bolívia pretende controlar o déficit fiscal com um plano de austeridade econômica, em vez de depender totalmente da dívida externa, disse o ministro das Finanças, Marcelo Montenegro.

O novo governo socialista analisará de perto o mercado internacional de títulos de olho em oportunidades mais atraentes para fazer mais empréstimos em um mundo de taxas de juros baixas, disse Montenegro.

A chave para qualquer nova emissão de dívida é avaliar o portfólio de projetos nos quais investir. A recuperação das estatais de gás natural, de aviação e de telecomunicações deve ser o esforço principal para impulsionar o crescimento econômico, disse Montenegro em entrevista na sexta-feira à noite em La Paz.

“Um déficit fiscal é como um problema no joelho. Às vezes, você pode andar mancando, mas quando o problema é muito grande você nem consegue andar”, disse Montenegro. “O presidente enviou uma mensagem clara sobre austeridade e vamos seguir nessa direção.”

O Fundo Monetário Internacional prevê que o déficit fiscal do país subirá para 8,6% do PIB neste ano em relação a 7,2% em 2019.

O presidente Luis Arce venceu as eleições em outubro, marcando a volta ao poder dos socialistas na Bolívia, um ano depois de o líder Evo Morales ter saído do país em busca de exílio.

Embora a Bolívia planeje continuar pagando juros sobre os US$ 2 bilhões em títulos internacionais, Montenegro disse que buscará renegociar um período de carência de dois anos dos pagamentos a credores multilaterais como o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco Mundial.

“Dois anos é um período em que podemos esperar uma recuperação econômica”, disse Montenegro. O governo da Bolívia deve US$ 7,2 bilhões a credores multilaterais, disse a Fitch Ratings no início deste ano, e US$ 1,2 bilhão a credores bilaterais, incluindo a China.

O governo recém-eleito avalia um contrato de venda de gás natural da Bolívia ao Brasil, que foi assinado no início de março sob o governo da então presidente interina Jeanine Áñez. Montenegro disse que algumas condições desse contrato são “totalmente adversas” para o país e, sem dar mais detalhes, disse que o ministro de Hidrocarbonetos do novo governo está em busca de uma solução.

O Ministério das Finanças também pretende defender a paridade cambial, pois não vê necessidade de desvalorização do boliviano.

O FMI projeta que economia da Bolívia deve encolher 7,9% neste ano. O país de 12 milhões de habitantes é o mais pobre da América do Sul depois da Venezuela.

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