Abstenção em meio à pandemia é a maior desde 1996

por Mario Braga, especial para o InfoMoney

O índice de abstenção na eleição de 2020 estava em 23,14% com mais de 99,79% das urnas apuradas. O porcentual é o mais alto em eleições municipais desde 1996, quando o ficou em 18,3%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fatores específicos na votação deste ano, como a pandemia do novo coronavírus, ajudam a explicar o movimento. 

Entre os cinco maiores colégios eleitorais do país, a taxa de abstenção variou entre entre 21,84% em Fortaleza (CE) e 32,79% no Rio de Janeiro (RJ). A abstenção é o porcentual do eleitorado apto que não votou.

O movimento já era esperado devido à Covid-19 e a consequente preocupação de eleitores em evitar aglomerações.

Uma hipótese é que a abstenção cresceu mais entre os mais idosos, que são mais vulneráveis à doença. Se confirmado, este comportamento pode ter favorecido candidatos como o Guilherme Boulos (PSOL-SP), que tem melhor desempenho entre eleitores de outras faixas etárias, destacou Ricardo Ribeiro, analista político da MCM Consultores.

“Mas esta é uma eleição atípica por conta da pandemia. Não se pode tomar estes números como uma tendência de longo prazo,” ponderou.

Além da pandemia, pela primeira vez, o TSE disponibilizou um aplicativo que permite que os eleitores justifiquem o voto. Nas cerca de 24 horas até o fim da votação, mais de três milhões de pessoas baixaram o aplicativo, em um total de 13 milhões de downloads, segundo o órgão. 

No entanto, eleitores enfrentaram instabilidade para justificar a ausência na votação devido à quantidade excessiva de acessos, de acordo com o presidente da Corte, o ministro Luis Roberto Barroso. O magistrado chegou a afirmar antes do fim da apuração que o nível de abstenção poderia chegar a 30%.

“Os níveis de abstenção foram inferiores a 25%, portanto, em plena pandemia, nós tivemos um índice de abstenção pouca coisa superior a de eleições passadas,” disse Barroso em entrevista coletiva no fim da noite de domingo.

Top 5

Enquanto houve aumento no nível de abstenções, o porcentual de votos em branco e nulos apresentou relativa estabilidade nas cinco cidades com o maior número de eleitores no país quando comparado com os números da última eleição municipal. 

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, a abstenção ficou em 29,30%, o índice de votos em branco em 5,87% e o de nulos em 10,11%, quando 99,92% das urnas estavam apuradas, segundo o TSE. No primeiro turno das eleições municipais de 2016, a abstenção na capital paulista foi de 21,84%, enquanto 5,29% do eleitorado votou em branco para prefeito e 11,35%, nulo.

No Rio de Janeiro, a abstenção foi de 32,79%, enquanto os votos em branco para prefeito somaram 6,54% do total apurados e os nulos 12,69%. Há quatro anos, 24,28% eleitores da capital fluminense não foram às urnas, 5,5% votaram em branco e 12,72% anularam o voto para prefeito.

Em Belo Horizonte, 28,34% do eleitorado não votou, 4,25% votaram em branco e 6,86% anularam o voto para prefeito. Em 2016, 21,66% dos eleitores da capital de Minas Gerais se abstiveram de votar, enquanto entre os que votaram para prefeito 7,20% apertaram a tecla “branco” e 14,28% anularam.

Em Salvador, 26,46% do total de eleitores não compareceram às zona eleitorais neste domingo. A porcentagem de votos brancos ficou em 3,36% a de nulos em 9,61%. Nas últimas eleições municipais, a capital baiana registrou uma taxas de abstenção de 21,25%, de votos para prefeito em branco de 3,17% e de votos nulos de 10,30%.

Em Fortaleza, 21,84% dos eleitores se abstiveram, 3,53% votaram em branco e 6,48% anularam o voto. Há quatro anos, 17,04% do eleitorado da capital cearense se abstiveram de votar, enquanto 2,52% votaram em branco para prefeito e 5,86% anularam o voto, segundo dados do TSE. 

Os níveis de abstenção nas eleições brasileiras tendem a girar entre 20% e 25% e, portanto, as variações registradas neste ano não são expressivas dado o contexto da pandemia em que as disputas ocorreram, ressaltou o professor da Fundação Getúlio Vargas Marco Antônio Carvalho Teixeira. 

[Uma abstenção muito alta] não tira a legitimidade dos eleitos, ainda mais no contexto em que se deu essa eleição. O importante é que os debates aconteceram, a campanha correu normalmente apesar das dificuldades,” afirmou o cientista político.

Os eleitores que não justificaram o voto neste domingo têm os próximos 60 dias para quitar a situação com a Justiça Eleitoral. É possível fazer a justificativa pelo site do TSE, pelo aplicativo ou em um cartório eleitoral. Quem perder o prazo, deverá pagar uma multa de R$ 3,51 por cada turno.

Abstenção Nacional

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