5G da Huawei: vai dar guerra?

O mundo da tecnologia está longe de ser amistoso e colaborativo

Não somente a amplitude do espectro é incrivelmente superior, como a velocidade do 5G também é cerca de 20 vezes maior

A Huawei, gigante chinesa no setor de tecnologia, se envolveu em uma grande polêmica com o governo norte-americano que fez sérias acusações contra a empresa. Washington acusa a companhia de violar o embargo ao Irã, espionagem industrial e roubo de tecnologia, tudo veementemente negado pela Huawei. Para os Estados Unidos, porém, o mais perigoso é a empresa permitir que autoridades chinesas utilizem sua infraestrutura para monitorar o tráfego de dados de outros países.

A Huawei garante que negará qualquer solicitação do governo chinês que comprometa sua confiabilidade. Apesar das promessas, alguns países já foram convencidos pela retórica norte-americana, tais como Austrália e Japão. A Nova Zelândia entrou brevemente para o grupo, porém, voltou atrás. A posição irredutível de Washington coloca os parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, em uma posição complicada entre negociar seus próprios interesses e não entrar em conflitos com o parceiro comercial. A União Europeia tem manifestado grandes ressalvas sobre a segurança de dados de seus cidadãos, no entanto, individualmente, os países do bloco têm sido mais moderados.

Alemanha, França, Espanha, Itália, Polônia e Grécia já possuem equipamentos da Huawei ou data prevista para as instalações, enquanto a Inglaterra, que está para se desligar do bloco, optou por aderir às sanções norte-americanas. O Brasil também segue a linha norte-americana com discursos sinalizando possíveis restrições aos leilões de 5G do país. Há, no entanto, grandes possibilidades do cenário se modificar com a posse de Joe Biden a partir de 20 de janeiro.

Os motivos que têm levado tantos países a ponderarem cuidadosamente seus contratos com a Huawei e a relação com os americanos é a grande vantagem de desenvolvimento que a empresa chinesa possui em relação aos seus concorrentes. As torres 5G já estão sendo amplamente difundidas no continente asiático, enquanto o ocidente não possui opção de concorrência igual no momento. Isso se deve ao pesado investimento que a gigante chinesa fez na tecnologia, apostando em sair rapidamente na frente dos seus maiores concorrentes.

Outro motivo que coloca os países em posição delicada é a vantagem evidente que concorrentes terão ao implementar o 5G antecipadamente. A diferença entre performance com relação ao formato anterior é brutal e refletirá de maneira considerável no desempenho de mercado de seus países. A rede 4G opera em frequências de até 2,5GHz enquanto a quinta geração pode operar em frequências de até 95GHz.

Não somente a amplitude do espectro é incrivelmente superior, como a velocidade do 5G também é cerca de 20 vezes maior. Essa diferença permite uma variedade muito maior de operações e vai gerar grandes vantagens competitivas para quem sair na frente.

Teremos de aguardar os novos capítulos desta história para sabermos se a guerra implodirá ou não.