A votação nos EUA poderia ser muito mais tranquila: existe tecnologia para isso

Na altura em que escrevo esse texto, tudo indica que entraremos em um litígio jurídico em relação à contagem dos votos nas eleições americanas.

Mais do que saber quem irá ganhar ou se o sistema distrital é o melhor modelo de democracia, o que me deixou, e deixa, espantado é como a nação que se diz a mais tecnológica do mundo, das grandes invenções, das trilionárias empresas de tecnologia, deixou um sistema eleitoral ser tão arcaico que remonta à década de 1980.

Votos em papel, enviados pelo correio, contagem manual, discussões sobre número de votantes, entre outras coisas que eu não esperaria de modo algum encontrar no mundo em 2020, quanto mais nos Estados Unidos.

Enquanto participo de inúmeras discussões sobre a moeda digital da China, o fim do papel moeda, a implementação do PIX e open banking no Brasil, me deparo com coisas tão rudimentares quanto essa.

Não preciso gastar muito tempo aqui para explicar que, se hoje temos tecnologia para transferir dinheiro de forma segura de uma pessoa para outra, certamente a temos para fazer um processo eleitoral transparente, seguro, confiável, e além de tudo facilmente auditável.

Todos os que me acompanham sabem que estudo e gosto muito de Blockchain e DLT, que seriam, para mim, as tecnologias mais aconselháveis para se fazer esse processo hoje.

As próprias experiências de governança de DEFI, na qual há recorrentemente votação sobre temas importantes à plataforma, são uma das formas mais na fronteira de como se fazer isso.

Mas nem precisamos ir muito longe, as urnas eletrônicas que temos no Brasil há várias eleições são um bom exemplo.

Apesar de haver o que chamo de teoria da conspiração de que elas não são confiáveis, estão aí há vários anos e nunca houve prova inequívoca de que não funcionam de forma adequada.

Mas há hoje formas ainda melhores, por exemplo, de autenticar as pessoas para votarem de casa, ou melhor, do seu celular, com pouca dificuldade do ponto de vista de tecnologia.

Da mesma maneira que você entra na conta do seu banco, ou em qualquer carteira digital, poderia entrar em um aplicativo para votar. Esses votos seriam contabilizados automaticamente, e se registrados utilizando blockchain/DLT poderiam ser facilmente auditáveis.

Uma questão importante seria o anonimato do voto. Uma contraparte central (um tribunal eleitoral?) resolveria esse problema e também o da autenticidade do votante, para que uma pessoa realmente existisse e não pudesse votar duas vezes.

Encontraríamos as pessoas que podem votar através de um cadastro centralizado que já existe. Todos os países do mundo têm alguma forma de cadastro dos seus cidadãos para controle de impostos, benefícios assistenciais ou para fins eleitorais, e os EUA não são exceção.

Esses cadastros não são perfeitos e, vira e mexe, encontramos falhas, mas isso já é um problema atual e que a tecnologia também poderia ajudar, com autenticação via impressão digital ou facial, geolocalização, entre outros.

Em relação ao anonimato, uma forma de obtê-lo seria essa contraparte central criar um número aleatório para cada votante e registrar esse número, com seu devido voto, e alguma outra informação que possa ser relevante, em um blockchain público.

Assim os votos seriam contabilizados automaticamente, seriam facilmente auditáveis e continuariam anônimos.

Outra preocupação seria a parte de cibersegurança, que já existe também pois, apesar de os votos serem mandados via papel, depois são transcritos para o meio digital e lá são contabilizados.

Aqui temos a falsa impressão de que, por termos o papel, estamos mais seguros. Mas, como a máquina que lê os votos para transcrevê-los pode ser atacada, ela corre o risco de ler os votos errados.

Ou seja, com esse risco já lidamos hoje, só que estaríamos com um sistema muito melhor.

Em resumo, temo que a maior economia do mundo, com todo seu arcabouço tecnológico, esteja mostrando para o mundo como uma votação não pode ser.

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