Europa retoma lockdowns sem garantia de que irão funcionar

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(Bloomberg) — Uma cúpula virtual de líderes da União Europeia se transformou em uma reunião sobre crise depois que suas duas maiores economias impuseram rigorosas restrições que muitos juraram não fazer. É um momento de acerto de contas com o coronavírus, que em sua segunda onda pegou o bloco na defensiva.

Em videoconferência na quinta-feira, haverá a sensação inevitável de que os líderes estavam errados ao pensar que o pior havia passado e que a pandemia poderia ser contida com medidas específicas. Cada dia registra um recorde de casos, e os estados membros – em pânico – buscam respostas. Não estão certos de que o que funcionou da primeira vez funcionará novamente. A Covid-19 já não é tão mortal, mas os casos estão aumentando.

No bloco de 27 países, onde mais de 210 mil pessoas morreram da doença e quase 6,5 milhões foram infectadas, o padrão agora parece ser o fechamento de restaurantes e toques de recolher nas cidades, mas com a insistência em manter as escolas abertas. A Alemanha, motor econômico do bloco, vai impor uma paralisação parcial de um mês a partir de segunda-feira, enquanto a França declarou lockdown nacional a partir de sexta-feira.

A Itália também avalia lockdowns regionais, de acordo com autoridades do governo que não quiseram ser identificadas. Os novos casos saltaram para um recorde nesta semana, e as hospitalizações atingiram o nível mais alto desde maio.

Irlanda e Portugal também impuseram medidas para conter a propagação, mas muitas das novas restrições são menos rigorosas do que as anteriores na primavera, e foram anunciadas depois que o número de casos já havia aumentado. A preocupação é que, como as pessoas se acostumaram com a pandemia, podem não aderir às regras com tanta disciplina.

A UE diz que os países membros desperdiçaram os bons resultados iniciais na primavera, quando confinamentos rigorosos impediram a propagação da doença. “As medidas foram relaxadas muito cedo”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a repórteres em Bruxelas na quarta-feira.

O virologista Peter Piot, conselheiro de der Leyen, disse em conferência de imprensa conjunta: “Se relaxarmos demais, haverá uma terceira onda”.

Também no Reino Unido, aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Boris Johnson para impor medidas mais duras à medida que o ritmo de casos continua a aumentar. Um relatório do Imperial College London e Ipsos Mori concluiu que o governo não está fazendo o suficiente para conter a pandemia e que o ressurgimento atingiu um “estágio crítico”.

Mesmo países que inicialmente administraram a pandemia com eficiência baixaram a guarda. A Grécia, que ganhou aplausos globais durante o surto inicial, foi palco de uma série de eventos sociais transmissores do coronavírus, como casamentos e batizados permitidos durante o verão.

As medidas de rastreamento em alguns países chegaram ao limite. Desde 21 de outubro, a Bélgica interrompeu testes em pessoas sem sintomas de Covid-19, pois a capacidade dos laboratórios diminuiu e grupos prioritários, como trabalhadores de lares de idosos, tinham que esperar até cinco dias para obter resultados, agravando a falta de profissionais.

A pandemia de coronavírus atingiu o que é uma espécie de calcanhar de Aquiles para a UE: a responsabilidade primordial de governos nacionais pelas políticas de saúde que, em uma crise, podem minar o valorizado e próspero mercado único do bloco.

Fechamentos de fronteiras nacionais e restrições à exportação de equipamento médico dentro da UE durante a primavera levaram o braço executivo do bloco a tomar ações destinadas a criar uma resposta mais coerente.

A comissão intensificou esses esforços na quarta-feira, pedindo um melhor intercâmbio nacional de dados epidemiológicos e um maior uso de aplicativos de rastreamento móvel, juntamente com um foco em testes rápidos.

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