Quem é Daniela Reinehr, a vice que assume amanhã o governo catarinense

Entenda como vai evoluir o processo de impeachment do governador Carlos Moisés

Daniela nasceu em Maravilha e tem 43 anos. Ela é advogada e produtora rural

Com a decisão do tribunal misto de aceitar a denúncia contra o governador Carlos Moisés (PSL) no caso do aumento salarial dos procuradores catarinenses, ele será afastado do cargo a partir de terça-feira (27). Daniela Reinehr (sem partido) assumirá interinamente o governo catarinense. Entre 6 e 17 de janeiro deste ano, durante as férias de Moisés, ela já havia assumido interinamente o Estado.

Daniela nasceu em Maravilha, no Oeste catarinense, e tem 43 anos. Ela é advogada, ex-policial militar e produtora rural. Em Chapecó, ela atuou como advogada nas áreas de direito empresarial, administrativo, civil e comércio exterior. Inicialmente, ela também havia sido denunciada, junto com o governador, no segundo pedido de impeachment, no caso dos respiradores comprados sem licitação. No entanto, a comissão especial da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) arquivou a denúncia contra ela. Nesta segunda-feira (26) serão sorteados os desembargadores que farão parte do tribunal misto do segundo pedido de impeachment.

Próximos passos
Com a admissão da denúncia contra Moisés, o tribunal misto formado por deputados e desembargadores dará início ao julgamento do governador por crime de responsabilidade no caso do reajuste salarial dos procuradores do Estado, de acordo com a representação apresentada pelo defensor público Ralf Zimmer Junior. Conforme informado pelo presidente do Tribunal Especial de Julgamento, desembargador Ricardo Roesler, Moisés será suspenso do cargo a partir de terça-feira (28), além de ter seus vencimentos reduzidos em um terço.

O próximo passo do processo é a apresentação, por parte do denunciante, do libelo acusatório e da relação das testemunhas de acusação, num prazo de 48 horas, após a intimação por parte do tribunal. Vencido esse prazo, será aberto vista aos autos aos advogados de Moisés, que terão 48 horas para apresentarem o rol de contrariedades e as testemunhas de defesa. Esgotados esses prazos, o presidente do tribunal deliberará sobre eventuais pedidos de diligência e designará a data e o horário da sessão de julgamento para os próximos 20 dias, além de determinar a intimação das partes, seus advogados e das testemunhas.

A sessão de julgamento ocorrerá no plenário da Alesc. Se no dia da sessão for constatada a ausência do procurador de Moisés, o julgamento será adiado para os próximos 20 dias, com a designação de um advogado dativo [que não pertence à Defensoria Pública, mas exerce o papel de defensor público, ajudando, por indicação da Justiça, o cidadão comum]. Caso nessa nova data o governador ou seus procuradores não compareçam, o julgamento será iniciado à revelia.

A sessão
A sessão de julgamento terá início pela leitura dos pontos principais do processo. Após eventuais questões de ordem, começam os depoimentos das testemunhas, que serão questionadas pelo presidente do tribunal, pelos julgadores, pela acusação e pela defesa. Se estiverem presentes na sessão de julgamento, Moisés e Ralf Zimmer poderão se manifestar por até 30 minutos cada e, sem seguida, ser interrogados pelo presidente do tribunal, pelos demais membros, pela defesa e pela acusação.

Terminadas as manifestações, serão realizados os debates orais. Defesa e acusação poderão usar a palavra por até 90 minutos, cada, com a possibilidade de réplica e tréplica para cada parte de 60 minutos. Encerrados os debates, o presidente do tribunal chamará os 10 julgadores, um a um, para discutir o objeto da acusação. Terminadas as discussões, o presidente do tribunal apresentará relatório resumido dos fundamentos da acusação e da defesa, bem como as provas, para dar início à votação. Se houver necessidades de esclarecimentos, poderá ser concedida vista coletiva aos julgadores, pelo prazo de cinco dias.

Para que a votação ocorra, é necessário quórum mínimo de dois terços do tribunal (sete julgadores). Eles responderão, com sim ou não, se Moisés cometeu crime no reajuste dos procuradores e se deve ser condenado à perda do cargo. Se não houver quórum, a sessão será suspensa e designada uma nova data. Caso o “sim” pela condenação receba pelo menos sete votos, o governador será destituído do cargo e inabilitado para o exercício da função pública. Se Moisés for absolvido, ele retornará ao cargo.