Criatividade inspirada em dados orienta novos modelos de negócio

Especialistas em data intelligence da Band e Instituto Senai participaram da quinta edição do XTalk BriviaDez

Diferentes perspectivas sobre como os dados podem inspirar a criatividade estiveram na pauta da quinta edição do XTalk BriviaDez

A criatividade é uma das mais importantes competências para direcionar o futuro das marcas. E, cada vez mais, a inteligência de dados contribui nesse processo — gerando ideias, qualificando a tomada de decisões e promovendo novas modelos de negócio. Diferentes perspectivas sobre como os dados podem inspirar a criatividade estiveram na pauta da quinta edição do XTalk BriviaDez, transmitido na terça-feira (6).

A live teve a participação de André Luiz Costa, Chief Digital Officer do Grupo Bandeirantes de Comunicação; Wagner Cambruzzi, Head of Data Intelligence na BriviaDez; e Wilson Gavião, Data Scientist do Instituto Senai de Inovação em Soluções Integradas em Metalmecânica. A mediação ficou por conta do Chief Strategy Officer (CSO) da BriviaDez, Roberto Ribas.

O professor e pesquisador Wilson Gavião apontou que os dados não tolhem a liberdade criativa. Pelo contrário: eles contribuem para despertar novas ideias, através de aspectos que hoje, com a data science, permitem observar fenômenos antes difíceis de serem visualizados. Gavião apresentou um gráfico mostrando a evolução dos términos de relacionamento ao longo do ano, com base em alterações de status no Facebook. Um exemplo de informação que hoje se consegue observar com os dados, rompendo paradigmas. “Algumas empresas, por exemplo, têm uma percepção idealizada de comportamento do cliente. Gráficos assim são transformadores, podem quebrar crenças e fortalecer a criatividade”, destaca.

No entanto, os dados em si próprios precisam ser confrontados com a realidade de cada empresa. “Temos de ir atrás, investigar, buscar a informação que justifique aquele dado. O valor está, também, em descobrir a hipótese lançada por aquele gráfico. É uma descoberta de conhecimento”, enfatizou o Data Scientist do Instituto Senai.

Novos modelos de negócio
Começando a carreira como repórter da Rádio Bandeirantes, o jornalista André Luiz Costa ajudou na estruturação da Rádio Band News FM. Hoje, está na linha de frente da Vibra, braço de inovação do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Ele explicou os desafios de trazer os dados para o dia a dia do conglomerado, que tem mais de 80 anos de tradição no mercado de mídia do país. “Estamos implementando um ecossistema para transformar a jornada da nossa audiência em dados, em algo visível que possa nortear nossa produção de conteúdo”, afirmou Costa.

Historicamente, segundo ele, esse meio é dependente dos números de audiência e de pesquisas de mercado — realidades que não contemplam todas as necessidades do grupo. Por meio da análise de dados, a Band tem incorporado novos modelos de negócio, como um hub de receitas culinárias, uma plataforma de e-commerce e o BandPlay, que agregará as produções das emissoras.

O profissional compartilhou ainda um case transformador na visualização de dados: o debate de 2018 para presidente da República, que, pela primeira vez, foi exibido pelo Youtube. Além disso, um acordo com o Google permitiu visualizar em tempo real os temas mais buscados no Trends, acompanhando o que a população falava naquele momento. A live foi a mais vista da história do Youtube no Brasil até aquele dia. “A experiência trouxe uma visão de que a transmissão pela internet é complementar, não concorrente. Além disso, recupera públicos que já haviam sido perdidos pela TV aberta”, explicou o head da Vibra.

Dados com propósito
O trabalho do braço de inovação da Band está sendo desenvolvido em parceria com a BriviaDez. Wagner Cambruzzi, que participa do processo, detalhou como é realizada essa transformação nas empresas, visando à formação de um data lake — repositório onde as informações serão armazenadas e relacionadas. “Começamos por uma etapa de fazer uma descoberta multidisciplinar, para entender o propósito da companhia”, disse o Head of Data Intelligence da agência de estratégia, experiência e comunicação.

“Em seguida, é feito o flow de dados: onde eles nascem, como crescem, como são organizados. Depois de operacionalizar isso, integramos com APIs do social, monitoramento de redes, jornais, sites”, detalha Cambruzzi, indicando que é um processo complexo, que envolve também inteligência artificial. Um desafio é gerar um dashboard adequado para que a empresa possa visualizar de forma simples a informação buscada.

Roberto Ribas, CSO da BriviaDez, ressaltou que é importante não cair em uma “ditadura de dados”, querendo olhar para tudo e, inclusive, informações que não fazem sentido para o negócio. “Outro desafio é a democratização dessas informações. Nem todo mundo sabe ler um dado, um gráfico. O aculturamento da empresa deve andar junto”, acrescentou.