Vice-presidente do Fed vê alta dos juros em 2023 nos EUA se economia seguir as projeções

(Bloomberg) — O Federal Reserve poderia começar a aumentar as taxas de juros em 2023 se o desempenho da economia ficar em linha com as projeções das autoridades de política monetária, disse o vice-presidente do banco central dos EUA, Richard Clarida, na quarta-feira.

As “condições necessárias para elevar o intervalo da meta para a taxa de fundos federais terão sido cumpridas até o fim de 2022”, disse Clarida no texto de um discurso para um webinar realizado pelo Peterson Institute for International Economics.

O Fed disse que manterá os juros de curto prazo próximos a zero até que o mercado de trabalho atinja o nível máximo de emprego e a inflação suba para 2% de modo a superar esse nível moderadamente por um período. Nas projeções econômicas divulgadas em junho, a maioria das autoridades do Fed previu dois aumentos das taxas de juros até o final de 2023.

A economia mostra forte desempenho este ano depois do colapso em 2020 provocado pela pandemia. O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 6,5% no segundo trimestre, depois da expansão de 6,3% nos primeiros três meses de 2021.“As políticas monetárias e fiscais em vigor devem continuar a apoiar a forte expansão da atividade econômica esperada para este ano, embora, obviamente, a rápida propagação da variante delta entre a fração ainda considerável da população que não está vacinada é claramente um risco de baixa para as perspectivas”, disse Clarida.

O vice-presidente do Fed espera que os desequilíbrios entre oferta e demanda que pressionam os preços se dissipem com o tempo, e que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas. Mas, acrescentou, “os riscos para meu cenário de inflação são de alta”.

Aceleração da inflação

Com a reabertura da economia, a inflação subiu mais do que o Fed e a maioria de analistas do setor privado esperavam. O índice de preços de despesas de consumo pessoal que o Fed acompanha avançou 4% em junho em relação ao ano anterior diante da crise de oferta.

Clarida disse que sua projeção de aumento da taxa de juros em 2023 é consistente com o regime de metas de inflação média de 2% adotado pelo Fed no ano passado e incorpora a realidade de uma política fiscal expansionista que resultou em mais de US$ 2 trilhões em poupança extra das famílias.

Clarida não opinou sobre o debate em andamento sobre quando o Fed deveria começar a reduzir as compras de ativos e apenas repetiu a declaração do Comitê Federal de Mercado Aberto de que a questão continuará a ser discutida nas próximas reuniões.

O mandato de Clarida no conselho do Fed termina em janeiro. Especialistas não esperam que o presidente dos EUA, Joe Biden, o indique para outro mandato.

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