Uma fintech para criar novas fintechs

Phi vem conquistando espaço no mercado e já conta com grandes empresas no portfólio 

Um dos objetivos da Phi é ampliar a proposta de valor de negócios tradicionais, integrando serviços financeiros a eles

Quando José Renato Hopf e Ricardo Galho criaram a 4all para desenvolver startups com foco em transformação, acabaram concebendo outro personagem importante no cenário gaúcho de tecnologia. Emancipada da “empresa-mãe” há cerca de dois anos, a Phi consolidou-se como uma fintech que ajuda clientes a criar e acelerar suas próprias fintechs, apoiando-as nas mais diversas demandas relacionadas a serviços financeiros. A missão da startup ficou clara com o passar do tempo, quando seus fundadores perceberam a necessidade de aumentar a competição entre as fintechs em busca de uma qualidade maior de serviços e preço menor para os consumidores. Agora, a Phi já está inserida no que o seu CEO, Versione Mauro Júnior [foto], considera um cenário de simplificação regulatória num setor reconhecido por ser extremamente burocrático e conservador.

Segundo Mauro Júnior, o mercado financeiro brasileiro vive na corda bamba entre a simplificação regulatória e os cuidados para não colocar em risco o sistema financeiro nacional. “O Brasil vem se destacando nos últimos anos na vanguarda dessa equação e é reconhecido internacionalmente por isso”, opina. Essa simplificação, que vai desde a criação de instituições de pagamento até avanços como a Lei Geral de Proteção de Dados, PIX e open banking, oferece condições para que as iniciativas financeiras on-line sejam ainda mais valorizadas no mercado. “Todas as empresas sabiam que precisavam e tinham que evoluir no digital, mas isso acabava ficando sempre em segunda prioridade. A chegada da pandemia transformou a tendência em pendência”, avalia Mauro Júnior, relatando que alguns clientes da Phi a procuraram por precisarem de soluções urgentes, já que seus negócios deixaram de ser viáveis.

As mudanças ainda trouxeram à tona a centralização que regia o setor, de acordo com Mauro Júnior. “Se pegasse os cinco principais operadores financeiros do Brasil, eles concentravam mais de 85% do público. A simplificação regulatória vem dando condições para que essa descentralização aconteça de maneira muito rápida.” Além dessa barreira, o CEO da Phi relata que os investidores de setores tradicionais que agora apostam no lançamento de suas próprias fintechs tinham muitas dúvidas em relação a qual caminho seguir e qual tecnologia contratar – e, então, a Phi entrou em cena. A startup passou a possibilitar soluções aos negócios tradicionais ou a empreendedores com boas ideias de maneira muito rápida, atendendo a todas as exigências regulatórias, de compliance e segurança dentro de um custo acessível.

Um dos primeiros grandes projetos da Phi foi com a Ambev, para quem desenvolveram uma conta digital voltada aos pequenos e médios empresários que consomem e compram diretamente da empresa. Com a Lebes, digitalizaram o processo de acesso ao crédito, que, hoje, é feito pelo app. E, então, começaram a questionar o próprio processo. “Não podíamos ser uma ferramenta que atendesse somente a grandes grupos econômicos. Precisávamos de soluções democráticas para o mercado de uma maneira geral”, explica Mauro Júnior. A partir daí, a Phi começou a disponibilizar serviços de sua plataforma de maneira escalável. É o chamado conceito white label, em que os clientes contratam um serviço modular padrão e colocam suas marcas sobre ele. Nessa modalidade, a Phi consegue colocar em operação uma proposta de banco digital para todo o mercado brasileiro em até 60 dias. Recentemente, a startup deu outro passo além, disponibilizando serviços por API’s, modalidade em que o cliente integra as soluções da Phi em um aplicativo já existente.

O ano de 2020, mesmo tão desafiador, possibilitou que a Phi dobrasse o número de colaboradores, crescesse 50% em número de clientes e movimentasse mais de R$ 300 milhões em sua plataforma. Algumas das mudanças trazidas pela pandemia, como a migração da equipe para o sistema de home office, surpreenderam o CEO positivamente. Hoje, a startup conta com funcionários da Espanha, Portugal e cidades do interior do Brasil. “Temos colaboradores literalmente nos quatro cantos do Brasil e do globo”, celebra. E os planos para o futuro são ainda mais positivos: com a expectativa da chegada da vacina e as oportunidades trazidas pelo open banking, a Phi planeja, agora, dar início a um processo de internacionalização, apostando em outros países em processo de evolução regulatória – alguns anos atrasados em relação ao Brasil, mas, Mauro Júnior garante, cheios de possibilidades.