Startup catarinense usa nanotecnologia para produzir defensivos orgânicos

NanoScoping usa nanocápsulas do tamanho de um vírus

A startup tem apoio da Fapesc e da Finep por meio do Tecnova II SC

A NanoScoping Soluções em Nanotecnologia, startup de Florianópolis, desenvolveu uma linha de defensivos agrícolas de origem natural usando nanocápsulas do tamanho de um vírus. A tecnologia inovadora, que conta com um pedido de patente, recebeu o selo de insumo orgânico e pode ser usada na agricultura orgânica. A startup tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por meio do Tecnova II SC. Ao todo, o programa destinou mais de R$ 7,5 milhões para contemplar 28 empresas em todo o estado.

A base dos produtos já é utilizada na agricultura orgânica: melaleuca, neem, citronela e orégano. A inovação está no uso da tecnologia: os óleos essenciais são encapsulados em nanopartículas – impossíveis de serem vistas a olho nu. “Com essa tecnologia, conseguimos atribuir funcionalidades aos princípios ativos”, relata Maria Beatriz da Rocha Veleirinho, sócia da startup. “Por exemplo: conseguimos aumentar a penetração e espalhabilidade dos princípios ativos na planta. Os óleos essenciais também são bastante voláteis e evaporam ao serem aplicados. Quando você consegue colocar uma estrutura em volta dessa molécula, você consegue prendê-la, como se fosse uma célula. Então os óleos ficam mais tempo na superfície de uma folha, tornando-se mais eficazes”, complementa.

Testes comprovam a eficiência dos produtos: redução de 47% a 97% no crescimento bacteriano em tomates; redução de 78% a 83% no crescimento fúngico em morangos; redução de 99% a 100% no crescimento bacteriano em pimentões. Outras pesquisas sobre a eficiência continuam sendo realizadas. “Os testes de eficiência agronômica são feitos juntamente com universidades e instituições de pesquisa e fornecem dados importantes sobre a segurança e dosagem dos insumos em diferentes culturas agrícolas”, salienta Letícia Mazzarino, diretora técnica da NanoScoping.

A startup foi fundada por duas pesquisadoras: Maria Beatriz é doutora em química pela Universidade de Aveiro e Letícia Mazzarino é doutora em farmácia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ambas possuem três pós-doutorados. O percurso empresarial da NanoScoping iniciou em 2014 durante o Sinapse da Inovação, um programa de incentivo ao empreendedorismo idealizado pela Fundação Certi e desenvolvido pela Fapesc. Depois de alguns anos de pesquisa e desenvolvimento de produtos em laboratórios, a startup iniciou a operação no início de 2017 comercializando ativos nanotecnológicos para o segmento veterinário – além da agrícola, também possui linhas de nutrição, desinfecção e cosméticos.

Em 2020, a empresa conquistou o segundo lugar no Prêmio Inovação Catarinense – Professor Caspar Erich Stemmer, na categoria inovação em produto. No mesmo ano, também recebeu recursos do Tecnova II para desenvolver e aprimorar a linha agrícola. Além dos produtos estarem sendo comercializados e de ter recebido o selo, também foi submetido um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).