Larry Fink: Sustentabilidade passou a ser vista como grande fator de risco e pode ajudar a separar vencedores de perdedores

Larry Fink - InfoMoney na Expert XP 2021

SÃO PAULO – Diante do avanço das mudanças climáticas no mundo e da maior exigência de investidores ávidos por estratégias mais sustentáveis, empresas tiveram que se adaptar e aquelas que ainda não mudaram devem ficar pra trás.

Na avalição de Larry Fink, CEO da BlackRock, responsável por cerca de US$ 9,5 trilhões sob gestão ao fim do segundo trimestre, o mercado começou a considerar a sustentabilidade como um grande fator de risco ao investir e a questão, diz, vai “mudar o capitalismo e mostrar quem são os vencedores e os perdedores à medida em que o capital for atrás de estratégias mais sustentáveis”.

A declaração foi feita nesta terça-feira (24), durante sua participação em painel da Expert XP. Fink disse que as companhias que estão se movendo de forma mais rápida e que podem ser incluídas em portfólios mais sustentáveis estão vendo o capital chegar até elas.

“A Covid e o risco de perder a vida ajudaram a fortalecer a visão das pessoas sobre o risco climático e como ele é muito importante para a ‘saúde da Terra’. Nessa pandemia, vimos mais e mais capital indo para estratégias mais sustentáveis, assim como mais investidores questionando como podem investir em novas tecnologias para reduzir o custo adicional da sustentabilidade”, apontou.

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A razão para o aumento da procura está ligada a aspectos como a melhora da mensuração do risco climático. Segundo o CEO da BlackRock, agora há modelos em que é possível entender se determinada área tem maior risco de passar por um enchente e se o investidor deve cobrar um prêmio mais elevado pelo investimento.

De toda forma, embora o mundo esteja passando por uma mudança “drástica” na forma de avaliar o risco climático e o impacto sobre os preços dos ativos, ele considera que ainda não há uma “boa mensuração do risco de transição”. Para o executivo, ainda é difícil medir quão rápido uma companhia ou a própria sociedade devem se mover para fazer a transição para estratégias e modelos de vida mais sustentáveis.

A única certeza que Fink tem é que a necessidade de transformação deve exigir que órgãos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou a Securities and Exchange Commission (SEC, equivalente americana à CVM) demandem que as empresas divulguem de forma mais transparente como estão fazendo essa transição de risco.

“Acredito que os bancos, por exemplo, vão ser mais questionados sobre como estão mensurando a gestão de portfólios, como estão relacionando o risco climático com o dinheiro que estão emprestando”, destacou o CEO da BlackRock.

Ainda sobre o investimento em estratégias mais sustentáveis, Fink ressaltou que o Brasil vai desenvolver um papel muito importante nesse quesito ao impulsionar novas tecnologias focadas em descarbonização, especialmente voltadas ao agronegócio.

Alocação no exterior

Os olhos do CEO da BlackRock, contudo, não estão voltados apenas para a sustentabilidade. Ao ser questionado sobre a alta vista nas bolsas de valores americanas – o índice S&P 500 acumula ganhos da ordem de 20% neste ano e acima de 30%, em 12 meses – e se haveria espaço para mais apreciação, Fink deu uma resposta afirmativa.

A justificativa está no fato de que o Federal Reserve, o banco central americano, vai continuar a investir para manter a economia americana funcionando, ainda que comece a reduzir o programa de estímulos, conhecido como tapering, neste ano.

Outro motivo para seguir otimista com o mercado de ações americano é que Fink acredita que os bancos centrais vão continuar com políticas mais acomodatícias, em termos de juros, o que também favorece a procura por ativos de risco. “Acredito que ainda teremos mais alguns anos com os mercados de risco, como os de ações, com maior força”.

Um ponto de atenção, entretanto, que pode afetar a precificação na renda variável, ainda é a inflação. O CEO da BlackRock afirma não ver a inflação americana como transitória e acredita que ela deve permanecer elevada por mais alguns anos.

“Poderemos sim ver uma inflação de 3% ou de 3,5% durante anos. Isso pode ser um problema? Acho que não. Mas talvez isso provoque mudanças nos modelos de valuation e no desconto que os analistas dão para algumas ações na hora de calcular o retorno [e precificá-las].”

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