Fed: Kaplan diz que variante Delta pode forçá-lo a mudar defesa de redução no programa de estímulos

SÃO PAULO – O presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em Dallas, Robert Kaplan, afirmou nesta sexta-feira, 20, que a variante Delta do coronavírus ainda não teve impacto material na economia dos Estados Unidos, mas ponderou que as incertezas envolvendo a pandemia podem forçá-lo a mudar sua avaliação sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Nos últimos meses, Kaplan tem sido uma das vozes mais “hawkish” no Fed, defendendo o início do processo de retirada de estímulos, conhecido como “tapering”, já em outubro. No entanto, em entrevista à Fox Bussiness, o dirigente comentou que a escalada no número de casos de coronavírus pode alterar seus planos.

Kaplan ressaltou que, antes da reunião de setembro, pretende monitorar a evolução do vírus. “Manterei minha mente aberta sobre isso e observarei se a Delta está tendo um impacto mais negativo a ponto de eu ter que ajustar minhas visões”, explicou ele, que classificou de “imponderável” a trajetória da covid-19.

O líder da regional de Dallas do Fed disse ainda que a tendência da pandemia no momento é “negativa”. Para ele, não há necessidade que a taxa de desemprego caía a 4,5% para que o BC americano comece o ciclo de normalização da política monetária.

Kaplan também projetou que os gargalos na cadeia produtiva devem demorar cerca de 3 anos para serem completamente solucionados. Na visão dele, o grande problema na economia será os desequilíbrio entre a demanda e a oferta de trabalhadores.

Inflação

Robert Kaplan também afirmou hoje que a inflação ao consumidor dos Estados Unidos ficará acima da meta não apenas neste ano, mas também no seguinte. Durante evento virtual da Texas Tech University, ele disse que recebe muitos relatos de problemas com matérias-primas, como semicondutores, e considerou que esse quadro pode durar “mais tempo do que muitos preveem”.

Sem direito a voto nas decisões de política monetária, Kaplan projetou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresça “cerca de 6,5%” neste ano, mas notou que está atento a eventuais impactos negativos da variante Delta da covid-19. Na inflação, projetou que o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) suba 3,8% ou 3,9% neste ano e 2,5% em 2022, ainda acima da meta de 2% do Fed.

Segundo ele, os dados de mobilidade até agora não têm sido muito afetados pela cepa do vírus, mais contagiosa. Alguns setores, contudo, continuam a enfrentar mais dificuldades, como o de viagens, apontou, citando que no setor de restaurantes há sinais de melhora.

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