Dólar acumula alta em semana marcada por tensão em Brasília

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em leve queda ante o real nesta sexta-feira, depois de oscilar entre perdas e ganhos na sessão, captando o dia de dólar fraco no mundo após dados nos Estados Unidos amenizarem receios sobre corte de liquidez.

Na semana, porém, a moeda acumulou alta, pressionada pelo tensionado ambiente político-fiscal no Brasil.

O dólar à vista caiu 0,15% nesta sexta, a 5,2461 reais, após variar de 5,282 reais (+0,53%) a 5,2208 reais (-0,64%).

A divisa bateu as máximas do dia por volta de 11h30, com o mercado reagindo inicialmente com temor ao tombo da confiança do consumidor dos EUA em agosto, em dado divulgado às 11h.

Porém, na sequência, investidores passaram a ver o número como um fator a postergar qualquer redução de estímulos nos Estados Unidos, o que manteria, assim, a farta liquidez e o dinheiro barato que podem migrar para mercados emergentes como o Brasil.

Lá fora, o índice do dólar –que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de rivais– cedia 0,5%, maior queda em três meses e que o afastava de picos em torno de quatro meses alcançados na quinta-feira.

A queda do dólar no Brasil, porém, foi visivelmente menos intensa do que a vista ante outras moedas emergentes, devido ao prêmio de risco político-fiscal embutido nos preços, ao fim de uma semana de renovadas tensões nessas frentes.

Na semana, a cotação ganhou 0,23%, elevando a apreciação em agosto para 0,73%. Em 2021, o dólar sobe 1,05%. O mercado segue ansioso para saber o que será feito da PEC dos Precatórios, da proposta de reforma do Imposto de Renda, do novo Refis e do aumento desejado pelo governo no Bolsa Família –medida esta vista por muitos no mercado como eleitoreira e que ameaça a percepção sobre uma agenda fiscal austera.

“Reconhecemos que o real está barato, mas esperamos que a volatilidade permaneça alta por causa do barulho político”, disse em relatório Claudio Irigoyen, estrategista de câmbio e renda fixa para a América Lantina do Bank of America, que estima a taxa de câmbio com excesso de desvalorização da ordem de 15%.

O BofA projeta que o dólar fechará o terceiro e quarto trimestres de 2021 em 5,00 reais, declínio de 4,7% ante o fechamento desta sexta. Apesar dos recentes ruídos, investidores têm mantido seus prognósticos para a moeda, vislumbrando alívio nas tensões domésticas.

A volatilidade implícita do real para três meses –cujo cálculo é baseado em contratos de opções de taxa de câmbio e dá uma medida da percepção de instabilidade para a moeda brasileira– saltou a máximas desde abril nesta semana, antes de retroceder um pouco. Ainda assim, o real se mantém, a uma boa margem, como a moeda emergente relevante mais instável.

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