Com alta da Selic e aumento de aversão ao risco, Credit Suisse reduz projeção para o PIB de 2,5% para 2% em 2022

Graph Falling Down in Front Of Brazil Flag. Crisis Concept

SÃO PAULO – O cenário de juros mais altos no Brasil e de maior aversão ao risco deve reduzir o ritmo de crescimento econômico no próximo ano. Ao menos essa é a avaliação do Credit Suisse, que reduziu sua projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2,5% para 2,0% em 2022.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (9), o banco escreve que espera agora um crescimento mais moderado do consumo e dos investimentos, enquanto o cenário externo provavelmente permanecerá favorável.

Na última semana, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e de um tom mais “hawkish” do Banco Central, o Credit Suisse revisou para cima suas projeções para a taxa Selic, de 7,25% para 8,25% ao ano em 2021 e 2022 – implicando mais três altas de um ponto percentual nas próximas reuniões.

A revisão na estimativa para o PIB também foi provocada pela piora do âmbito fiscal. O Credit Suisse cita que o aumento de R$ 33 bilhões dos precatórios em 2022 vai consumir o espaço previsto do teto de gastos para o próximo ano criado pela alta inflação.

“O governo continua com a intenção de aumentar os benefícios do Bolsa Família e, aparentemente, todas as soluções propostas para isso representam um enfraquecimento do teto”, escreve o time, em relatório.

A terceira versão da reforma tributária, com expectativa de aumento em R$ 16 bilhões da carga tributária em 2022, mas sem aumento a partir de 2023, também está entre os temas monitorados pelo banco.

Já para 2021, com a avaliação de que a atividade econômica está em trajetória de retomada, diante do avanço do calendário de vacinação e de um carry-over (ou carregamento, a variação do PIB interanual, caso se considere que não haja variação marginal) elevado, os economistas do Credit Suisse mantiveram a projeção de crescimento de 5,5% para o PIB este ano.

Segundo a equipe, o risco mais importante hoje é o agravamento da crise hidrológica, dado que os reservatórios caíram mais rápido do que o esperado em julho, para o nível mais baixo desde 2005. O aumento do risco de apagões em regiões específicas do país também é algo mantido no radar.

Riscos no radar

A piora do cenário fiscal, a alta da inflação e consequentemente dos juros são alguns dos diversos riscos no radar dos investidores nos próximos meses.

As eleições de 2022, o ciclo das commodities – com possível normalização dos preços após forte rali –, e o cenário de queda do rendimento dos títulos americanos (Treasuries), contudo, também merecem atenção, segundo destacou em coluna Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head da área de Research da XP.

Enquanto as manobras feitas pelo atual governo visando as eleições de 2022 têm sido monitoradas de perto, as dúvidas sobre como a “folga” no orçamento será utilizada em 2022, qual será a trajetória dos gastos públicos a partir de 2023 e se haverá a manutenção do teto de gastos ou não, permanecem.

Com relação ao aumento dos preços, Ferreira explica que o grande debate entre os investidores é se essa inflação atual será temporária ou não, e se haverá um risco de superaquecimento das economias, dado o tamanho dos estímulos adotados.

O estrategista da XP cita ainda o avanço da variante delta do coronavírus e o aumento da desigualdade.

Ainda que a lista de eventos adversos a serem monitorados pelos investidores nos próximos meses seja extensa, Ferreira reforça que eles trazem desconto de preço – e que descontos trazem oportunidades. “Enquanto é importante sempre monitorarmos os riscos no cenário, isso não quer dizer para evitarmos riscos a qualquer custo”, escreve.

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