Ciro Nogueira aceita convite de Bolsonaro para assumir Casa Civil

SÃO PAULO – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) informou, nesta terça-feira (27), que aceitou convite do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir a Casa Civil do governo. Os dois estiveram reunidos mais cedo no Palácio do Planalto – encontro inicialmente previsto para o dia anterior.

Pelas redes sociais, o novo ministro prometeu “empenho e dedicação em busca do equilíbrio e dos avanços de que nosso país necessita”.

Com o movimento, o grupo denominado “centrão” passa a ocupar dois dos principais postos do Palácio do Planalto, reduzindo o poder de influência de militares no governo. Antes de Ciro Nogueira, a deputada Flávia Arruda (PL-DF) assumiu a Secretaria de Governo, em abril.

A Casa Civil, considerada estratégica para a articulação política do Palácio do Planalto e a coordenação entre os ministérios, era antes ocupada pelo general Luiz Eduardo Ramos, que na semana passada foi pego de surpresa com a notícia da troca de cargo.

A tendência é que o militar fique com a Secretaria-Geral da Presidência, atualmente ocupada por Onyx Lorenzoni (DEM), que deve ser deslocado para o Ministério do Emprego e Previdência, a ser recriado com o desmembramento do Ministério da Economia.

Presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira é um dos expoentes do chamado “centrão” e fiel aliado do governo no Senado Federal. Nos últimos meses, atuou na defesa de Bolsonaro junto à CPI da Pandemia, embora em alguns momentos de forma menos ativa publicamente. O parlamentar é conhecido nos bastidores como operador político habilidoso para a construção de acordos.

A reforma ministerial, anunciada por Bolsonaro na semana passada, busca melhorar a interlocução do governo com o Congresso Nacional, reforçando o apoio de parlamentares do “centrão” em um momento de dificuldades para o presidente.

O movimento também tem por objetivo diminuir a assimetria de posições no governo entre as duas casas legislativas em um momento de dificuldades para o presidente, sobretudo no Senado Federal.

Nas primeiras reformas ministeriais, a preocupação em blindar o presidente de um possível processo de impeachment fez o governo concentrar esforços na Câmara dos Deputados.

Desde o início da atual administração, senadores reclamam de não ter um único ministério. Hoje, cinco deputados comandam pastas do governo: Fábio Faria (Comunicação), Flavia Arruda (Secretaria de governo), João Roma (Cidadania), Onyx Lorenzoni (Secretaria Geral) e Tereza Cristina (Agricultura).

Por isso, o governo agora busca equilibrar a balança. Além dos desgastes produzidos pela CPI da Pandemia, na volta do recesso os senadores analisarão a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) – que tem sofrido forte resistência – e a recondução de Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República (PGR) – encaminhamento visto como mais simples.

Também deverão passar pelo crivo dos senadores propostas de interesse do governo federal, como as reformas administrativa e tributária, além da reformulação do Bolsa Família (que só pode ser implementada ainda em 2021) e a privatização dos Correios. A reforma eleitoral, em discussão na Câmara dos Deputados é outro assunto que precisará ser analisado pela casa.

A nomeação de Ciro Nogueira trouxe à tona um dos episódios marcantes da campanha eleitoral de 2018, quando o agora ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, cantou: “Se gritar pega ‘centrão’, não fica um, meu irmão”. Em sua versão, ele canta “centrão” no lugar de “ladrão”, presente na letra original composta por Ary do Cavaco e Bebeto Di São João.

Eleito com o discurso contra a política tradicional e tecendo frequentes críticas ao “centrão”, Bolsonaro mudou o tom nas últimas semanas. “Eu nasci de lá [do centrão]“, afirmou em entrevista concedida na quinta-feira (22), após o anúncio da minirreforma ministerial. “Eu sou do centrão”, completou.

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