Carteira paralímpica traz as muitas chances de medalha do Brasil em Tóquio

Cerimônia de abertura das Paralimpíadas de Tóquio 2020 (Flickr/Comitê Paralímpico Brasileiro)

Nesta terça-feira (24), começam os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. O Olimpíada Todo Dia, maior portal de conteúdo do Brasil em esportes olímpicos, fechou uma parceria com o InfoMoney para a cobertura do evento.

Na Olimpíada, que terminou dia 8 de agosto, a equipe monitorou a “Bolsa de Valores Olímpica de Tóquio”, apontando os atletas brasileiros com os maiores potenciais de medalha nos Jogos — seriam as blue chips se tivessem na B3.

E quais são as chances do Brasil nos Jogos Paralímpicos? Um cenário que difere totalmente em relação aos Jogos Olímpicos. Se na Olimpíada estamos gradativamente nos firmando entre os melhores, na Paralimpíada somos, indiscutivelmente, uma superpotência mundial.

Para se ter uma ideia, nas últimas três edições, o país figurou entre os 10 primeiros no quadro de medalhas, algo que deve se repetir ao final dos Jogos de Tóquio.

Num paralelo ao mercado financeiro, poderíamos dizer que se a performance dos atletas paralímpicos fosse comparada ao índice Ibovespa, seria correto afirmar que investidores do mundo inteiro estariam constantemente atentos aos nossos resultados. O Ibov seria referência assim como é o Nasdaq e o S&P 500.

Investimento e legado

O fato de sermos uma grande potência pode ser explicado por diversos fatores. Um deles é o alto investimento que se tem nos esportes paralímpicos. Desde 2003, existe a Lei Agnelo Piva, que destina uma parte do dinheiro das Loterias Federais ao Comitê Paralímpico Brasileiro.

Os resultados dessa medida já puderam ser vistos na Paralimpíada de Atenas em 2004. O Brasil conquistou 11 medalhas a mais — sendo oito delas de ouro — em relação aos Jogos de Sydney 2000. Com isso, houve um salto da 24ª para a 14ª posição no quadro geral de medalhas.

Na edição de 2008, o Brasil conseguiu o maior número de medalhas em uma mesma edição: 47 (16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes). Quatro anos depois, em Londres, foram “apenas” 43 conquistas, mas o recorde de ouros foi quebrado com as 21 totais. Com isso, o país conseguiu o sétimo lugar no quadro de medalhas, a melhor colocação até hoje.

A incrível evolução se viu ainda mais nos Jogos Paralímpicos do Rio cinco anos atrás. O Brasil terminou na 8ª colocação geral com 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes, totalizando 72 conquistas, 29 a mais em relação a Londres.

Parte desse resultado pode ser explicado pela construção do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, considerado o maior legado esportivo da Rio 2016. Com equipamentos de última geração e recebendo os atletas paralímpicos amadores e de alto rendimento, o CT virou referência mundial e chegou a receber mais de 20 mil pessoas antes da pandemia.

Os “ativos”

Um dos segredos do sucesso do Brasil nos Jogos Paralímpicos é a alta quantidade de atletas com chances de pódio em diversas modalidades. Se o investidor decidisse entrar no índice antes do início dos Jogos, teria mais chances de acertar uma de suas apostas do que nos Jogos Olímpicos.

Quatro modalidades em especial seriam as apostas mais seguras para os investidores: atletismo, natação, futebol de cinco e goalball. O objetivo de se manter entre os 10 melhores passa principalmente por esses esportes.

Thalita Simplicio e o guia Felipe Veloso treinam no Yoyogi Park em Tóquio (Miriam Jeske/CPB/Fickr/Comitê Paralímpico Brasileiro)
Thalita Simplicio e o guia Felipe Veloso treinam no Yoyogi Park em Tóquio (Miriam Jeske/CPB/Fickr/Comitê Paralímpico Brasileiro)

O atletismo é a modalidade que mais deu medalhas ao Brasil na história dos Jogos Paralímpicos. Ao todo, o país conquistou 142 pódios (40 ouros, 61 pratas e 41 bronzes). A modalidade tem tudo para puxar o Brasil para cima no quadro de medalha dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Serão nada mais, nada menos, que 14 campeões mundiais nas pistas de Tóquio.

No Mundial de Dubai-2019, o Brasil conquistou 39 medalhas, sendo 14 de ouro, e quebrou recordes do campeonato e mundiais 21 vezes. Petrúcio Ferreira e Beth Gomes são as caras mais conhecidas, mas há também os campeões mundiais Claudiney Batista, Rayane Soares, Júlio César Agripino, Thiago Paulino, Daniel Tavares, Thalita Simplício, Jerusa dos Santos, Lucas Prado, Alessandro Rodrigo, João Victor Teixeira e Cícero Valdiran. Qualquer um desses seria uma boa aposta de retorno ao investidor.

Na natação, um desavisado certamente optaria por Daniel Dias, maior medalhista paralímpico brasileiro com 24 medalhas totais, sendo 14 de ouro, sete de prata e sete de bronze. Acontece que o nadador sofreu no ciclo atual por conta das mudanças na classificação funcional de alguns atletas.

Isso não significa dizer que o Brasil não terá chances de medalhar. Levando em conta o desempenho no último mundial, a deleção brasileira tem chances de conseguir mais ouros com uma variedade maior de nadadores.

As mulheres terão mais visibilidade e mais chances na piscina, principalmente pelo trio Maria Carolina Santiago, Edênia Garcia e Joana Silva. Uma outra boa aposta é Gabriel Bandeira, de 21 anos, que fez sua estreia internacional recentemente e surpreendeu com a conquista de seis ouros. Pode ser o equivalente àqueles ativos menos comentados pelos analistas e que, de uma hora para outra, explodem.

Se fosse um ativo listado em Bolsa, o goalball seria um daqueles cases de sucesso estudados nas faculdades de administração. Há 10 anos, o Brasil tinha pouca tradição na modalidade. Mas hoje, ainda que sem muita visibilidade, é uma das maiores potências no mundo e vai chegar a Tóquio com chance de medalha nos Jogos Paralímpicos tanto no masculino quanto no feminino.

De 2011 para cá, a ascensão foi meteórica, especialmente depois da conquista da medalha de ouro da seleção masculina no Pan de Guadalajara-2011. E desde então, o domínio brasileiro é absoluto em Pan, com seis medalhas, sendo cinco douradas.

Em 2012, o masculino novamente faturou uma inédita medalha paralímpica, a prata em Londres, e dois anos depois, foi campeão mundial pela primeira vez. Na Rio-2016, o time não confirmou o favoritismo e acabou ficando com o bronze.

Mas em 2018, a equipe faturou o bicampeonato mundial, enquanto a feminina conquistou a inédita medalha de bronze. No ano passado, ambas foram campeãs em Lima-2019 e hoje, a seleção masculina é a líder do ranking mundial e a feminina é a terceira melhor do mundo.

De todas as modalidades do programa paralímpico, o goalball é a única que não é adaptada. É um esporte feito especificamente para cegos, que foi criado em 1946 especialmente para a reabilitação de veteranos da Segunda Guerra Mundial que perderam a visão.

Atletas da selecao durante Treino de futebol de cinco em Hamamatsu, cidade-sede da delegação Brasileira para aclimatação antes dos Jogos Paralímpicos de Toquio (Matsui Mikihito/CPB)
Atletas da selecao durante Treino de futebol de cinco em Hamamatsu, cidade-sede da delegação Brasileira para aclimatação antes dos Jogos Paralímpicos de Toquio (Matsui Mikihito/CPB)

A aposta mais segura

A principal blue chip brasileira em Tóquio fica com o futebol de cinco. Poucas hegemonias no mundo do esporte são tão fortes quanto a do Brasil em relação a essa modalidade. Adaptação do futebol para atletas com deficiências visuais, integra a disputa dos Jogos Paralímpicos desde a edição de Atenas-2004. Nesse período, o país conquistou todas as quatro medalhas de ouro possíveis e chegará na disputa de Tóquio como fortíssimo candidato por mais uma medalha dourada.

Como se não bastasse o histórico vencedor em Jogos Paralímpicos, a seleção brasileira se destaca ainda com o pentacampeonato mundial da modalidade, com as conquistas em 1998, 2000, 2010, 2014 e 2018, e pelo fato de contar com Ricardinho, atleta eleito três vezes o melhor jogador do mundo da modalidade.

Além desses três principais, boas apostas do Brasil na Paralimpíada ficam com judô, bocha, goalball, tênis de mesa, ciclismo, halterofilismo, hipismo, remo, vôlei sentado, esgrima em cadeira de rodas, paracanoagem, e nos novos esportes, parataekwondo e parabadminton.

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