AEB prevê aumento das exportações e superávit recorde

Altas previstas terão reflexo positivo no cálculo do PIB

A forte elevação dos preços das commodities explica o crescimento projetado para as exportações

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) divulgou suas previsões para a balança comercial deste ano. Segundo a AEB, as exportações deverão ficar em torno de US$ 270 bilhões, com aumento de 28,7% em relação aos US$ 209,8 bilhões efetivados em 2020, e as importações, em US$ 202 bilhões, com expansão de 27,1% sobre os US$ 158,9 bilhões alcançados em 2020. Para a entidade, haverá superávit de US$ 68 bilhões, mais 33,6% em relação aos US$ 50,8 bilhões apurados no ano passado. De acordo com a AEB, os aumentos projetados para as exportações e importações refletirão de forma positiva no cálculo do PIB de 2021.

Segundo o presidente executivo da AEB, José Augusto de Castro, a forte elevação dos preços das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado externo), especialmente petróleo e minério de ferro, explica o crescimento projetado para as exportações. O peso do petróleo em bruto, do minério de ferro e da soja em grão na pauta de exportação brasileira passou de 35%, no ano passado, para 41%, este ano. Do lado das importações, o fato de vários produtos não estarem sendo fabricados atualmente no país para suprir o mercado interno, como peças e componentes, responde pelo incremento das vendas externas ao Brasil.

Quanto ao superávit, Castro disse que, se for confirmado, constituirá novo recorde, superando o recorde de 2017, de US$ 67 bilhões. A corrente de comércio, projetada em US$ 472,1 bilhões para 2021, ficará próxima do recorde atual de US$ 482,2 bilhões, apurado em 2011. O presidente da AEB afirmou que o câmbio não está afetando de forma alguma a balança comercial brasileira: “nem positivo, nem negativo. Não está nem estimulando a exportação de manufaturados, nem as importações. Está neutro”. Para Castro, o câmbio não é suficiente para deixar a balança competitiva.

Na opinião de Castro, o principal problema do país é o elevado custo Brasil. “Estamos exportando basicamente commodities, e o custo Brasil afeta os manufaturados. Sem o custo Brasil, exportaríamos mais manufaturados, e isso geraria mais empregos no país”. O presidente executivo da AEB disse esperar que o custo Brasil se reduza para que aumentem as exportações de produtos manufaturados, de maior valor agregado. Ele acrescentou que a reforma tributária ajudará a diminuir o custo Brasil. Ele acrescentou que, além disso, a ausência de reformas estruturais e o custo Brasil são responsáveis pelo fato de as exportações de produtos manufaturados terem hoje valor nominal inferior ao exportado em 2007.

Com Agência Brasil